TEOLOGIA - PARTE 32

NOVOS TEMPOS, VELHAS CRENÇAS:
Crítica do Neo-Paganismo sob uma Ótica Cristã
Em 1925, o lendário pensador cristão inglês G. K. Chesterton (1) afirmou que, se não houvesse sido pelo surgimento e fortalecimento da igreja cristã, a Europa teria continuado pagã, a civilização ocidental não teria jamais existido na forma como a conhecemos, e, culturalmente, "a Europa seria hoje muito parecida com a Ásia." (2) Chesterton sugeriu ainda que,

se o paganismo clássico houvesse se prolongado até hoje [no ocidente]... haveria ainda pitagóricos ensinando reencarnação, assim como ainda há hinduístas ensinando reencarnação na Ásia. Haveria ainda estóicos criando uma religião a partir da razão e da virtude, assim como ainda há confucionistas na Ásia criando uma religião a partir da razão e da virtude. Haveria ainda neo-platonistas estudando verdades transcendentes cujo sentido seria misterioso para as outras pessoas e disputado até mesmo entre eles, assim como ainda há budistas na Ásia estudando um transcendentalismo misterioso para os outros e disputado até mesmo entre eles. Haveria ainda apolonianos inteligentes aparentemente adorando o deus-sol mas explicando que na verdade eles adoram o princípio divino, assim como ainda há na Ásia zoroastrianos aparentemente adorando o sol mas explicando que estão adorando a divindade. Haveria ainda dionisíacos dançando selvagemente nas montanhas, assim como ainda há na Ásia derviches dançando selvagemente no deserto. Haveria ainda multidões indo às festas dos deuses... e haveria muitos deuses para serem adorados, como há na Ásia, ainda pagã... Haveria ainda sacrifícios humanos secretos a Moloque, assim como ainda há na Ásia sacrifícios humanos secretos à deusa Kali. Haveria ainda muita feitiçaria, e boa parte dessa feitiçaria seria magia negra. Haveria ainda muita admiração por Sêneca, e muita imitação de Nero, assim como na Ásia os elevados epigramas de Confúcio coexistiram com as torturas chinesas. (3)

Talvez Chesterton nunca tenha chegado a perceber que suas palavras eram proféticas. A civilização ocidental há muito já caminhava a passos largos para um quadro impressionantemente semelhante ao pintado por ele, um quadro que hoje é a reprodução fiel da religiosidade moderna. O que Chesterton não previu foi que o chamado neo-paganismo teria características muito piores que as do antigo paganismo — a cosmovisão religiosa da antigüidade que havia sido posta de lado com o surgimento da igreja e a conversão da Europa ao cristianismo. A casa foi varrida, mas, como nas palavras de Cristo relatadas por Mateus, o último estado tornou-se pior do que o primeiro (Mt 12.43-45).

I. Ascensão e Queda do neo-paganismo (e algumas questões metodológicas)

Uma das principais características da chamada Era Moderna (sécs.16–20) foi o surgimento do neo-paganismo, cuja decadência estamos hoje assistindo naquilo que tem-se chamado de "Nova Era". Esse "movimento" religioso não é, portanto, genuinamente novo, e nem é na verdade um movimento, e, acima de tudo, não é de fato pós-moderno, como alguns têm sugerido. O pós-modernismo implica em ir além do beco sem saída da modernidade e inclusive da típica religiosidade moderna. (4) A chamada Nova Era pode ser tudo menos pós-moderna. Pelo contrário, ela é moderníssima. Mas, nesta fase de transição em que estamos vivendo, ela representa o modernismo não no seu apogeu, mas sim na sua mais completa decadência. (5)

O neo-paganismo não é novidade. Trata-se, para começo de conversa, da recuperação e apropriação da mentalidade religiosa da antigüidade pré-cristã. Como ironicamente sugeriu Chesterton, "trata-se de uma profunda verdade que o mundo antigo era mais moderno que o mundo cristão." (6) Isto é, a Idade Moderna está mais próxima do paganismo que do cristianismo. Além disso, o neo-paganismo não é novo porque esta recuperação e apropriação tiveram início há seis séculos atrás, no princípio da chamada Idade Moderna. Os primeiros a estarem envolvidos nesse processo de reapropriação do paganismo foram os humanistas dos séculos XV e XVI. Numa atividade genuinamente arqueológica, esses pensadores e filólogos dedicaram suas vidas à recuperação da literatura e cultura da antigüidade greco-romana. (7) Essa atividade não é condenável per se. Porém, uma vez levada a cabo, permitiu a reapropriação da mentalidade pagã por parte dos eruditos europeus da época que sentiam-se insatisfeitos com o cristianismo e a religiosidade que lhes era oferecida. Em parte, essa insatisfação é compreensível, uma vez que a igreja da época vivia talvez a maior crise espiritual de sua história. Mas nem todos os humanistas sentiram-se atraídos pela religiosidade pagã. Muitos consideraram mais sensato lutar por uma reforma eclesiástica e ansiar por um avivamento espiritual. Tanto o avivamento quanto a reforma vieram por fim a acontecer, fruto, em grande parte, do esforço desses mesmos pioneiros humanistas. Nesse sentido, os líderes da Reforma Protestante também eram humanistas, sem deixarem de ser cristãos. (8) A verdade, porém, é que a semente do neo-paganismo foi igualmente lançada nos campos da intelectualidade européia, e os primeiros frutos maduros dessa semeadura foram colhidos nos séculos subseqüentes, dando por fim início ao movimento intelectual conhecido pelo nome de Iluminismo.

O Iluminismo do século XVIII representou o estabelecimento definitivo do neo-paganismo como o ideal intelectual por excelência da modernidade. (9) Todos os mais importantes pensadores iluministas ou rejeitaram o cristianismo por completo, trocando-o por uma mentalidade religiosa pagã (Diderot, D’Holbach, Hume), ou procuraram adaptar a fé cristã às concepções helenistas recém-recuperadas e assimiladas, produzindo heterodoxias gritantes como o deísmo (John Locke, John Toland, Voltaire, La Metrie) e a teologia kantiana. (10) A maçonaria é outra aberração neo-pagã que teve origem no iluminismo francês. Tanto os teóricos da Revolução Francesa quanto os "Pais" federalistas americanos, teóricos da Revolução Americana, estavam alicerçados na filosofia iluminista e no neo-paganismo. O Modernismo havia chegado ao seu apogeu. Os séculos subseqüentes, XIX e XX, assistiriam a partir de então ao lento declínio da modernidade (o marxismo e o existencialismo marcam, por exemplo, e de formas diferentes, esse declíno). Entretanto, nunca o declínio do neo-paganismo esteve tão evidente quanto agora, em que ele se manifesta em suas formas mais cruas e vulgares, nos diferentes componentes desse conglomerado de noções religiosas pagãs que chamamos de Nova Era. Cabe-nos, portanto, enquanto pensadores cristãos, compreender a natureza do neo-paganismo, um aspecto importante da história da teologia moderna, e também da realidade diária destes tempos de transição em que estamos vivendo.

A Nova Era é, sem dúvida, um fenômeno cultural, mas não é propriamente uma religião, uma nova organização religiosa; não possui líderes explícitos, membros, estrutura hierárquica, estatutos, confissão de fé, etc. Diferentemente do que muitos livros evangélicos populares querem nos fazer crer, a Nova Era não é tampouco uma conspiração secreta. (11) Este tipo de sensacionalismo evangélico patrocinado pela liderança de nossas igrejas, estimulado por outra falácia teológica chamada "batalha espiritual", possui um grave efeito nocivo. (12) Nós, cristãos, passamos a lutar contra um inimigo inexistente, um fantasma, uma ficção da nossa imaginação, em vez de enfrentarmos a verdadeira horda que nos cerca. A miscelânia chamada Nova Era é composta de manifestações neo-pagãs diferentes umas das outras, que vão desde popularizações de religiões orientais como o hinduísmo, o budismo e o taoísmo, até as mais crassas superstições pagãs como astrologia, o poder curativo dos cristais, adivinhações e necromancia. Nós, brasileiros, muito antes de importarmos dos Estados Unidos o conceito de Nova Era, já estávamos há muito tempo acostumados com as formas mais decadentes da religiosidade moderna, pois o espiritismo é um excelente exemplo de neo-paganismo. Do ponto de vista apologético, cada uma dessas manifestações neo-pagãs deve ser combatida e derrotada individualmente, e não como uma amálgama informe e uma abstração, como freqüentemente tem acontecido.

Isso não significa, por outro lado, que o fenômeno não possa ser analisado do ponto de vista antropológico, filosófico ou teológico. Sem dúvida, cabe-nos buscar compreender o neo-paganismo em termos genéricos. Isso não é contraditório, pois esta análise não tem por objetivo a mistura e a confusão das diferentes manifestações neo-pagãs sob um mesmo rótulo e o subseqüente confronto apologético com esta quimera, este monstro de Frankenstein, composto de partes juntadas de diferentes corpos e origens. Essa "arqueologia epistemológica" (13) implica em descobrir as pressuposições fundamentais do fenômeno, e produzir dessa maneira um arsenal de noções filosóficas e teológicas que possam de fato auxiliar no combate específico e individual dessas diferentes expressões religiosas neo-pagãs. (14)

II. O Paganismo, o Neo-Paganismo e a Fé Cristã: Esboço de um Estudo Comparativo

A religiosidade pagã nada mais é que o espírito humano submetido à força da gravidade, isto é, limitado a um estado de mínima resistência. Em outra palavras, é a religiosidade humana no seu estado natural, sofrendo a pressão e o impacto da Queda em toda a sua inteireza. (15) O termo "paganismo" vem da palavra latina pagani que significa "camponeses" ou "gente do campo, do interior". O termo pagani ganhou a conotação atual porque esses camponeses foram os últimos a se converterem ao cristianismo após sua instituição no século IV como religião oficial do Império Romano, e os últimos a abandonarem as crenças e práticas da religiosidade greco-romana. (16) É curioso notar que, inversamente, o neo-paganismo teve origem nas cidades, e até hoje é nos grandes centros urbanos e nos países mais desenvolvidos que o mesmo encontra maior aceitação e menos resistência.

É um erro pensar que o paganismo é uma grande tolice, que nada tem de aproveitável (ainda que o decadente neo-paganismo às vezes nos deixe essa impressão). Chesterton resume brilhantemente a história espiritual da humanidade em uma de suas frases mais famosas: "O paganismo era a melhor coisa que havia no mundo; e a fé cristã surgiu, e era melhor ainda. E tudo o mais depois disso tem sido comparativamente pior e pequeno." (17) Como sugere Rist, (18) Agostinho, assim como muitos outros intelectuais convertidos ao cristianismo nos primeiros séculos da era cristã, "viu sua conversão não tanto como uma substituição mas como uma expansão e um enriquecimento de suas posições anteriores." (19) Há pelo menos três elementos no paganismo pré-cristão que o fazem respeitável: (i) um senso de piedade, (ii) uma moralidade objetiva e absoluta, e (iii) um senso de transcendência, de percepção do divino e de respeito em face do misterioso. (20) O cristianismo resgatou o que o paganismo possuía de melhor à luz da revelação divina, num lento processo que teve início no primeiro século e seguiu-se até o fim da Idade Média. (21) No neo-paganismo do nosso tempo esses elementos desapareceram, e o que sobra é o invólucro, a superfície, a superstição vazia e irracional. O neo-paganismo é, portanto, não somente um anti-cristianismo mas também um anti-paganismo, por incrível que pareça. Analisemos cada um destes elementos isoladamente.

A. Piedade

O senso de piedade (latim pietas) a que estamos nos referindo refere-se ao instinto religioso natural de respeito a algo maior que o ser humano. Isto implica na humildade de se reconhecer como parte subordinada do grande processo e esquema universal. Vemos o reflexo dessa mentalidade no neo-paganismo na adoção do chamado modelo newtoniano. (22) O resultado disso no paganismo da antigüidade era uma religiosidade em que a palavra de ordem era moderação (grego sophrosyne), (23) expressa na frase "nada em demasia" inscrita em todos os templos de Apolo, junto ao famoso "conhece-te a ti mesmo" (24) (o mesmo sentimento aparece na expressão aristotélica in medio virtus). (25) As religiões pagãs da Ásia na sua maioria ainda mantém esta tradição de reverência, de reticência e de moderação. A civilização ocidental não pratica nem compreende essa reverência e o neo-paganismo, portanto, difere do seu ancestral neste importante aspecto. Ao contrário, o neo-paganismo diviniza o homem, é a religião do homem como o novo deus, pregando "o valor infinito do ser humano" e "a autonomia do pensamento crítico." (26) O neo-paganismo confunde-se, portanto, com o humanismo contemporâneo, o qual se transformou em uma quase-religião. (27) No movimento da Nova Era, que se trata do neo-paganismo em avançado estado de putrefação, o humanismo se manifesta de forma mais crassa, como, por exemplo, no fato de que quase todas as práticas, terapias e crenças da Nova Era são voltadas para o bem-estar do ser humano, para o seu aperfeiçoamento, para o seu conforto e prazer. Além disso, há o pressuposto implícito em todas as diferentes manifestações neo-pagãs de que o ser humano é capaz de resolver os seus problemas espirituais por si mesmo, através de exercícios, meditação ou utilização "racional" (ou irracional) de objetos naturais como plantas e cristais.

É evidente que um retorno mais fiel ao paganismo da antigüidade não seria a solução para a busca religiosa do ser humano moderno, e muito menos do ser humano pós-moderno. Apenas a fé cristã possui aquilo que o ser humano necessita e busca. A piedade cristã não é somente superior à piedade pagã (piedade esta que, como dissemos, o neo-paganismo não possui), mas é uma piedade qualitativamente diferente. Um aspecto fundamental da piedade cristã está em reconhecer-se como criatura diante do Criador. Qualquer piedade que torne opaca a distinção entre o Criador e as criaturas é inerentemente incompatível com a piedade cristã. Como afirmou Chesterton, a natureza não é minha mãe; na verdade, ela é minha irmã, como dizia Francisco de Assis. Mais importante que isso é o fato de que a piedade cristã assume como pressuposto a verdade teológica do pecado original. O ser humano não é apenas um ser corrompido até o mais profundo do seu ser, mas é também corrompido em todos os aspectos do seu ser, inclusive sua razão, que sofre os chamados efeitos noéticos do pecado. Nossa razão não é confiável, somos constantemente condicionados pelos impulsos recebidos do meio em que vivemos, e somos igualmente impulsionados por instintos inconscientes sobre os quais não temos qualquer controle. Mas a diferença crucial e primordial entre a piedade cristã e a piedade pagã está na certeza cristã de que não há nada que um ser humano possa fazer para obter o favor divino. A piedade pagã tem como elemento fundamental o esforço humano para obter o favor divino por meio de sacrifícios, rituais e promessas. Infelizmente muitos cristãos deixam-se iludir pela mentalidade pagã que continua influenciando a igreja, levando muitos a abraçar uma cosmovisão pagã, ainda que sob o disfarce de elementos cristãos. A piedade cristã tem, como ponto de partida, o render-se diante da soberania divina, o tornar-se receptáculo da graça divina imerecidamente outorgada àqueles que humildemente se aproximam de Deus em um ato de arrependimento pelo pecado, contrição sincera e confiança no perdão divino.

B. Moralidade

O que chamamos, a seguir, de moralidade objetiva e absoluta, refere-se ao fato de que os antigos pagãos que levavam a sério o seu paganismo insistiam na existência de leis morais inquestionáveis, inegociáveis e permanentes. Essas leis morais eram vistas como naturais, evidentes na natureza das coisas, descobertas e não criadas pelo homem. O neo-paganismo procurou resgatar essa moralidade racionalista pagã, levá-la às últimas conseqüências e adaptá-la à realidade da vida moderna. Esse extremo racionalismo acabou se revertendo em um irracionalismo, e por fim tornou-se relativista, subjetivista e pragmático, chegando-se lentamente à conclusão de que o ser humano cria suas próprias leis morais, e que estas variam conforme o tempo e a cultura. Os valores morais de um indivíduo não podem ser considerados errados, pois não existe um padrão ou norma absolutos que determinem o certo e o errado em questões éticas. A grande imoralidade do ponto de vista neo-pagão é justamente dizer que algo é moralmente errado. O grande erro é dizer que algum tipo de comportamento é errado. O único absoluto é que não há absolutos. A única coisa que deve levar alguém a sentir-se culpado é essa mesma pessoa sentir-se culpada por algo.

Este relativismo moral de hoje em dia é o correspodente moderno do politeísmo da antigüidade. O que está verdadeiramente por trás dessa grande variedade de moralidades, de bens morais, é uma enorme variedade de deuses modernos: o sucesso, a felicidade, o sexo, o dinheiro e o progresso, por exemplo. O neo-paganismo é, portanto, não apenas uma forma de humanismo (de divinização do ser humano), mas também uma forma de politeísmo idólatra em que cada ser humano torna-se um deus, um absoluto sagrado, transmissor em vez de receptor da lei moral. (28)

Mas isso não significa que um retorno à moralidade pré-cristã é a resposta. Essa aliás, tem sido a proposta da filosofia moderna racionalista no últimos trezentos anos. (29) A ética cristã compartilha da objetividade e da absolutividade características da ética pagã (que o neo-paganismo não possui), mas as semelhanças terminam aí. É bem verdade que a ética cristã tem sofrido a má influência da filosofia racionalista, e tem adquirido dessa forma uma similaridade à ética pagã maior do que é recomendável. Mas sob o prisma correto percebe-se que os pontos de vista pagãos e cristãos são radicalmente diferentes. Enquanto a ética racionalista encontra seu fundamento na supremacia e na autonomia da razão humana, a ética cristã fundamenta-se na revelação especial de Deus, nas Escrituras Sagradas. A ética racionalista, quando teísta, sugere que Deus aprova certa atitude ou comportamento humanos porque eles são bons em si mesmos. Creio que a ética cristã deve opor-se a esta cosmovisão e sugerir o oposto, isto é, que uma certa atitude ou comportamento humanos são bons porque Deus os aprova. Essa inversão ilustra a natureza essencialmente diversa e em certo sentido oposta das éticas cristã e clássica-pagã.

C. Religiosidade

Finalmente, o senso de transcendência a que em seguida nos referimos é o maravilhar-se diante do mistério, que levava o pagão pré-cristão ao ato de adoração. No mundo moderno, o sentido, o instinto e a prática da adoração per se entraram em declínio. Na civilização ocidental é cada vez menor o número de pessoas que adoram seja quem ou o que for. Mesmo em nossas igrejas temos visto essa influência nefasta do neo-paganismo, levando nossas comunidades a adotar liturgias em que o sentimento de reverência cede lugar à descontração e o bem-estar do adorador torna-se mais importante que sua contrição e dedicação. Os efeitos se fazem presentes também na teologia moderna, em que as doutrinas são desmitologizadas, desmiraculizadas e desdivinizadas. Assim, até mesmo teólogos cristãos tornaram-se adeptos da mentalidade moderna neo-pagã, uma vez que o neo-paganismo, diferentemente do velho paganismo da antigüidade, abandonou a crença no sobrenatural e no transcendente e tornou-se naturalista e imanentista. Aos poucos a religiosidade neo-pagã foi-se tornando, portanto, não somente uma forma de humanismo disfarçado e uma re-edição piorada do politeísmo, mas também uma forma popular de panteísmo. O panteísmo popular moderno é uma religiosidade muito confortável em que Deus é transformado numa espécie de "força" à la Guerra nas Estrelas, disponível sempre que necessário, mas que não incomoda. (30) É conveniente para os seres humanos verem-se como "bolhas da grande espuma divina" em vez de compreenderem-se como filhos rebeldes de um Pai divino e justo, desesperadamente carentes de se reconciliarem com ele, e absolutamente impotentes no que se refere a essa condição espiritual. O panteísmo rejeita qualquer idéia que se assemelhe ao conceito bíblico de pecado porque pecado implica em separação entre Deus e o pecador (Rm 3.19-20; 5.12; 8.7-8; 11.32), e ninguém pode estar separado da totalidade. Por isso, não pode haver temor de Deus sob uma perspectiva panteísta. Portanto, do ponto de vista neo-pagão, o que a Bíblia chama de "princípio da sabedoria" (Pv 1.6) é aquilo que precisa ser erradicado das mentes acima de tudo.

A solução, portanto, não se encontra em uma apropriação mais cautelosa ou mais exata do paganismo clássico pré-cristão. Apenas a fé cristã possui as respostas para os problemas práticos, teóricos e religiosos do mundo de hoje. O senso de transcendência do paganismo não pode ser visto como equivalente ao senso de transcendência cristão. Este último é qualitativamente diferente daquele. Não é à toa que a mais explicitamente pagã de todas as heterodoxias modernas, o deísmo, seja uma teologia que enfatize a transcendência divina ao preço da imanência divina. A fé cristã ortodoxa rejeita ambas as opções radicais de transcendência (deísmo) e de imanência (teologia liberal do século XIX) das correntes teológicas que buscaram a síntese do paganismo com o cristianismo. A conclusão a que se chega é que o neo-paganismo acaba por cair, ou no racionalismo, ou no irracionalismo. Os grandes pensadores cristãos dos últimos séculos, percebendo essa terrível encruzilhada, insistiram na necessidade de enfatizar a totalidade humana, de salientar o fato de que o ser humano precisa ser compreendido em sua inteireza, sem ser dividido, fracionado, compartimentalizado. O ser humano não é apenas razão, ou emoção, ou vontade, ou corpo, ou espírito. O ser humano é um todo, e só pode ser compreendido corretamente se visto como um todo. Minha opinião é que teorias dicotomistas ou tricotomistas são racionalismos que devem ser rejeitados. Afirmando a unidade do ser humano, e as simultâneas e completas transcendência e imanência de Deus, o cristianismo não deixa espaço para noções panteístas, e se mostra superior tanto ao paganismo quanto ao neo-paganismo.

Post-Scriptum

Como afirmei no início, a chamada Nova Era não é uma conspiração. Mas na unificação dos inimigos da fé cristã, a saber, panteísmo, politeísmo e humanismo, unificação esta levada a cabo pelo neo-paganismo, pode-se perceber a estratégia do inferno, que todavia não pode prevalecer contra a igreja. Pelo contrário, é a igreja que está por lhe arrombar as portas (Mt 16.18). No Calvário, quando as forças anti-cristãs dos mundos grego, romano e hebreu se uniram na crucificação de Cristo (fato este simbolicamente representado na acusação contra Cristo afixada na cruz, escrita em três línguas: Lc 23.38; Jo 19.19-20), o triunfo do mal foi também a derrota do mal, e a morte do Filho de Deus significou a redenção do ser humano (ver Cl 1.13-14). Nós estávamos condenados pelas nossas transgressões, e Deus nos deu vida em Cristo, perdoando-nos nossos delitos, "tendo cancelado o escrito de dívida que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando sobre eles na cruz" (Cl 2.13-15). Certamente, o neo-paganismo de nossos dias estará em breve tão morto e enterrado quanto o velho paganismo dos antigos está hoje. E o Deus revelado em Jesus Cristo, aquele que pronunciou a primeira palavra, terá novamente a última palavra. "Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era, e que há de vir, o Todo-poderoso" (Ap 1.8).

1 G. K. Chesterton (1874-1936) é um autor que precisa ser mais lido no Brasil. Chesterton era um grande amigo de C. S. Lewis. Seus livros ensinam como se faz filosofia cristã de primeira qualidade e foram algumas das melhores respostas cristãs ao pensamento moderno. Eu recomendo, por exemplo, os livros Orthodoxy (Nova York: Doubleday, 1990 [1908]), Heretics (Londres: G. Lane, 1905) e The Everlasting Man (San Francisco: Ignatius Press, 1993 [1925]).

2 Chesterton, The Everlasting Man, 237.

3 Ibid., 237-38. Minha tradução.

4 Para saber mais sobre o chamado pós-modernismo, ver Stanley J. Grenz, Pós-modernismo: Um Guia para Entender a Filosofia do Nosso Tempo (São Paulo: Vida Nova, 1997). Esse livro é uma boa introdução ao assunto. Outros livros que podem ser de auxílio nesse complicado tema filosófico e cultural são: Brian D. Ingraffia, Postmodern Theory and Biblical Theology (Cambridge, Inglaterra: Cambridge University Press, 1995), especialmente pp. 167ss.; J. Richard Middleton e Brian J. Walsh, Truth Is Stranger than It Used to Be (Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1995), especialmente a primeira parte, pp. 7-84; David S. Dockery, ed., The Challenge of Postmodernism (Wheaton, Illinois: BridgePoint, 1995); e Gene Edward Veith, Jr., Postmodern Times (Wheaton: Crossway, 1995). Ver também o meu artigo "A Morte e a Morte da Modernidade: Quão Pós-moderno é o Posmodernismo?" Fides Reformata 1:2 (Julho-Dezembro 1996), 59-70.

5 O que se chama de modernismo é a cosmovisão que prevaleceu durante os últimos três séculos, caracterizada pelo seu cientificismo, historicismo, racionalismo, e otimismo humanista, entre outras coisas. Ver Robert B. Pippin, Modernism as a Philosophical Problem (Oxford: Blackwell, 1991).

6 Chesterton, Orthodoxy, 259. Minha tradução.

7 Ver Peter Gay, The Enlightenment: The Rise of Modern Paganism (Nova York: W. W. Norton & Company, 1966), 256-321. A teoria básica de Peter Gay serviu também de base para este artigo, isto é, que "o iluminismo foi uma mistura volátil de classicismo, impiedade, e ciência; les philosophes, resumindo, eram pagãos modernos." Ibid., 8.

8 Os especialistas divergem, contudo, quanto ao relacionamento e envolvimento entre humanistas e reformadores, e se seria historicamente correto considerar estes um sub-grupo daqueles. Ver, por exemplo, os estudos do erudito calvinista tcheco Josef Bohatec sobre esse assunto: Die Religionsphilosophie Kants, 1938, reimpresso em 1966.

9 Confira Gay, The Enlightenment, 3-27.

10 Ver Immanuel Kant, Religion within the Limits of Reason Alone (Nova York: Harper Torchbooks, 1960).

11 Ver, por exemplo, as populares obras de ficção de Frank Peretti (e.g., Este Mundo Tenebroso), e livros como: John Bevere, The Bait of Satan (Orlando: Creation House, 1994) e Bob Larson, Straight Answers on the New Age (Nashville: Nelson Publishers, 1989). Não que estes livros sejam imprestáveis, ou que seus autores sejam charlatães. Mas há uma atitude que me parece errada entre os chamados "profetas da desgraça" do evangelicalismo americano, uma vontade de formular teorias místicas e maniqueístas de conspiração e de uma espécie de "ocultismo cristão" que considero heterodoxo e prejudicial para a saúde espiritual da igreja.

12 Para saber mais sobre o tema "batalha espiritual," ver o livro de David Powlison, Power Encounters: Reclaiming Spiritual Warfare (Grand Rapids: Baker, 1995) e também o livro de Augustus Nicodemus G. Lopes, O que Você Precisa Saber sobre Batalha Espiritual (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1997).

13 Ainda que eu esteja aqui fazendo uso da expressão cunhada pelo pensador pós-moderno Michel Foucault em Arqueologia do Conhecimento, isso não significa que estou adotando ipsis litteris o método do filósofo francês, que por sinal possui boas qualidades.

14 O método aqui adotado enquadra-se melhor dentro da tradição estabelecida pelo filósofo calvinista holandês Herman Dooyeweerd. Ver, por exemplo, Roots of the Western Culture (Toronto: Wedge Publishing Foundation, 1979).

15 Ver o capítulo "Christianity and the New Paganism," em Peter Kreeft, Fundamentals of the Faith: Essays in Christian Apologetics (San Francisco: Ignatius Press, 1988), 102.

16 Ibid.

17 Citado por Kreeft, Fundamentals of the Faith, 102. Minha tradução. Ver o capítulo "The Escape from Paganism," em Chesterton, The Everlasting Man, 232-49, e o capítulo "Authority and the Adventurer," em Orthodoxy, 141-60.

18 John M. Rist, estudioso de Agostinho e professor na Universidade de Toronto, Canadá, é uma das maiores autoridades vivas sobre o pensamento do celebrado bispo de Hipona.

19 John M. Rist, Augustine: Ancient Thought Baptized (Cambridge, Inglaterra: Cambridge University Press, 1994), 12. Minha tradução. Eu creio, todavia, que é inadequado interpretar a experiência de conversão dessa forma. Ainda que haja uma inegável continuidade, a conversão implica numa completa transformação do indivíduo no mais íntimo do seu ser, e toda continuidade que ocorrer tem que ser interpretada à luz dessa transformação essencial. Na vida do próprio Agostinho podemos ver como toda a bagagem trazida do paganismo recebeu em suas mãos uma nova significação. Mas a continuidade existe, e talvez a melhor forma de explicá-la é perceber que a conversão representa, não um giro de 180 graus, mas sim um giro de 360 graus, isto é, a vida prossegue, e o indivíduo inicia, após sua conversão, um longo processo de reavaliação de suas idéias e concepções através do qual ele redimensiona sua existência.

20 Kreeft, Fundamentals of the Faith, 102-106.

21 Uma das questões mais controvertidas da história da teologia refere-se justamente ao grau de penetração e influência das idéias pagãs durante a construção do edifício teórico da teologia cristã. Não existem respostas fáceis para esse complexo problema. Muito do que há de melhor na teologia conservadora dos últimos trezentos anos representa um esforço no sentido de procurar uma aproximação maior e mais pura ao ensino das Escrituras, livre dos preconceitos e distorções provocados pela influência pagã na igreja e na teologia cristã desde o primeiro século até os nossos dias.

22 John Locke e Isaac Newton foram os mais importantes mentores do iluminismo. Todavia, eles funcionaram mais como ícones, símbolos de uma revolução do pensamento que propriamente uma influência concreta em termos de idéias que muitas vezes não eram conhecidas ou eram mal compreendidas. Ver, por exemplo, o excelente estudo de Gerd Buchdahl, The Image of Newton and Locke in the Age of Reason (Londres: Sheed & Ward, 1961). A física newtoniana teve de qualquer modo um papel importante no iluminismo servindo de inspiração e paradigma para todas as áreas do conhecimento. Boas introduções para os aspectos gerais do pensamento newtoniano, e boas biografias de Newton (o método biográfico ajuda bastante aqueles que, como eu, têm dificuldades de compreender as nuances da física newtoniana), são Louis T. More, Isaac Newton: A Biography (Nova York: Dover, 1962); J. D. North, Isaac Newton (Oxford: Oxford University Press, 1967); Richard S. Westfall, The Life of Isaac Newton (Cambridge, Ingl.: Cambridge University Press, 1993); A. Rupert Hall, Isaac Newton: Adventurer in Thought (Oxford: Blackwell, 1992); Frank E. Manuel, The Religion of Isaac Newton (Oxford: Clarendon Press, 1974) e I. Bernard Cohen, The Newtonian Revolution (Cambridge, Ingl.: Cambridge University Press).

23 Ver os diálogos de Platão, especialmente Mênon e Êutifron.

24 O famoso gnothi seauton de Sócrates.

25 Ver Aristóteles, Ética a Nicômaco. Como sugere Chesterton, "o paganismo declarava que a virtude estava no equilíbrio; o cristianismo declarou que a virtude está no conflito: a colisão de duas paixões aparentemente opostas". Orthodoxy, 92. "São Francisco, ao louvar tudo que é bom, conseguia ser um otimista mais exagerado que Walt Whitman. São Jerônimo, ao condenar toda maldade, era capaz de pintar um quadro ainda mais escuro do que Schopenhauer." Ibid., 96. "O leão se deitará com o cordeiro. Mas note que este texto tem sido interpretado de forma muito suave. Nós somos constantemente assegurados por nossas tendências tolstoyanas que, quando o leão se deita com o cordeiro, ele se torna igual a um cordeiro. Mas isso é uma anexação brutal e um imperialismo da parte do cordeiro. Isso é apenas o cordeiro absorvendo o leão em vez de o leão comendo o cordeiro. O verdadeiro enigma é: pode o leão se deitar ao lado do cordeiro e todavia manter toda sua ferocidade real? Esse é o enigma que a igreja tentou resolver; esse é o milagre que ela alcançou." Ibid., 98.

26 Gay, The Enlightenment, 226.

27 O conceito de quase-religiões foi criado nos anos 60 pelo teólogo neoliberal Paul Tillich para referir-se a fenômenos secularistas, como, por exemplo, o marxismo, o nazismo, o humanismo e o cientificismo.

28 Ver, por exemplo, o volume de ensaios sobre cristianismo e cultura editado por Os Guinness e John Seel, No God but God: Breaking with the Idols of our Age (Chicago: Moody Press, 1992).

29 A ética moderna em geral tem privilegiado uma metodologia racionalista. Tanto a ética deontológica de Kant e seus seguidores, quanto a ética utilitarista dos ingleses Bentham e Stuart Mill são calcadas na ética pagã, e desconhecem a noção de uma ética baseada na revelação especial de Deus. Os pressupostos básicos por trás das éticas racionalistas são a supremacia e a autonomia da razão humana.

30 Ver a crítica que o celebrado pensador cristão inglês C. S. Lewis já fazia nos anos 40 a essa mentalidade em seu livro Miracles (Nova York: Macmillan, 1947).

TEOLOGIA - PARTE 31

DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ.
PÁGINA
INTRODUÇÃO. 03
I, A FÉ, O QUE ɨ? 03
II, FÉ. 04
III, ESPÉCIES DE FÉ. 05
III, 1, FÉ NATURAL. 05
III, 1, A, FÉ NATURAL EM PESSOAS E OU ORGANIZAÇÕES. 05
III, 1, B, FÉ NATURAL ADQUIRIDA. 06
III, 1, C, FÉ NATURAL REALIZADORA. 06
III, 1, C, a, A FÉ NATURAL REALIZADORA NA VIDA DE UMA PESSOA NÃO SALVA POR J CRISTO. 07
III, 1, D, LIMITAÇÕES DA FÉ NATURAL. 07
III, 2, FÉ CRISTÃ. 07
III, 2, A, O DOM DE DEUS DA FÉ CRISTÃ SALVADORA (ESPIRITUAL). 08
III, 2, B, O DOM DE DEUS DA FÉ CRISTÃ ADQUIRIDA (ESPIRITUAL). 08
III, 2, C, O DOM DE DEUS DA FÉ CRISTÃ REALIZADORA, (ESPIRITUAL). 09
IV, A DIMENSÃO DA FÉ. 10
IV, 1, PEQUENA OU POUCA FÉ. 10
IV, 2, GRANDE FÉ. 10
IV, 3, FÉ INCOMPLETA. 10
IV, 4, FÉ ENFERMA. 10
V, A FÉ E A ORAÇÃO. 10
VI, A FÉ, ELO DE LIGAÇÃO ENTRE OS MUNDOS SUBJETIVO E OBJETIVO DO SER HUMANO. 11
VII, A FÉ E ALGUNS CORRELATOS. 12
VII, 1, A FÉ E A FALTA DE FÉ. 12
VII, 2, A FÉ E A CONFIANÇA. 12
VII, 3, A FÉ E A DESCONFIANÇA. 12
VII, 4, A FÉ E A CRENÇA (CREDULIDADE). 13
VII, 5, A FÉ E A DESCRENÇA (INCREDULIDADE). 13
VII, 6, A FÉ E A FIDELIDADE. 13
VII, 7, A FÉ E A INFIDELIDADE. 13
VIII, VÁRIAS PASSAGENS BÍBLICAS RELATIVAS À FÉ
E A ASSUNTOS CORRELATOS, EXTRAÍDAS DA BÍBLIA SAGRADA. 13
CONCLUSÃO. 27
BIBLIOGRAFIA. 28
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 3.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ.
INTRODUÇÃO.
A FÉ é um assunto extremamente importante na vida do ser humano, visto
que, este, dela faz uso desde a sua infância até a mais avançada idade.
Para o CRISTÃO, a FÉ assume uma importância ainda maior, já que da
mesma (como DOM DE DEUS), depende a sua SALVAÇÃO ETERNA.
Porém, a FÉ CRISTÃ, não se restringe apenas e tão somente à FÉ
SALVADORA, há outras áreas em que a FÉ sobressai.
Por isso, a FÉ é um tema que deve ser estudado por toda a pessoa salva
por JESUS CRISTO, para ter uma vida espiritual mais tranqüila.
Assim sendo, o que iremos estudar acerca da FÉ, com toda a certeza,
contribuirá e muito para o bem estar espiritual da pessoa salva por
JESUS CRISTO.
I, A FÉ, O QUE ɨ?
Segundo o minidicionário Aurélio, FÉ é:
01, Crença religiosa.
02, Conjunto de dogmas e doutrinas que constituem um culto.
03, Religião, A primeira virtude teologal: Adesão e anuência pessoal a
DEUS.
04, Firmeza na execução de uma promessa ou compromisso.
05, Crença, confiança.
06, Testemunho autêntico, escrito, de certos funcionários que tem
força em juízo.
Para o conciso dicionário de teologia CRISTÃ, FÉ, significa:
Crença e compromisso a alguma coisa ou pessoa. A FÉ CRISTÃ implica de
modo especial uma confiança e aceitação completa da pessoa e obra de
CRISTO como a base de relacionamento do indivíduo com DEUS.
O dicionário da BÍBLIA, nos dá, uma definição mais elaborada para
FÉ, vejamos:
Existe diferença entre crença e FÉ. Crença é o assentimento ao
testemunho; e a FÉ é o mesmo assentimento ao testemunho acompanhado de
confiança. A FÉ é um princípio ativo; é um ato da inteligência e da
vontade. A distinção entre crença e FÉ avalia-se pela diferença entre
as frases “crede-me e confiai em mim”. O verbo crer convém a ambos os
vocábulos, FÉ e crença. Na BÍBLIA, FÉ ou crença quer dizer confiança
absoluta em tudo que DEUS tem revelado, Gên¨15:6; Deut¨32:20;
Mar¨11:22; Rom¨4:3-5. Por ela agiram os heróis da ESCRITURA, Heb¨11.
Em sentido especial, a FÉ consiste na confiança que se tem no testemunho que
DEUS dá de si mesmo, referente à missão de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, João¨5:24, e no testemunho de JESUS a respeito de si mesmo, comparar
João¨3:18, com At¨3:16 e 20:21. A FÉ no REDENTOR pela qual o pecador confia
nele só, é essencial à SALVAÇÃO, João¨3:15-16, 18; Ef¨2:8 e seguintes.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 4.
A crença em sua existência histórica, e na verdade de suas DOUTRINAS, pode
ser produzida pela evidência, mas a FÉ em CRISTO e a confiança nele para a
SALVAÇÃO, não se pode conseguir do mesmo modo. É DOM de DEUS, Ef¨2:8. O
ESPÍRITO aplica a verdade à alma. Os meios humanos entram como elemento de
cooperação com o ESPÍRITO para produzir a FÉ, Rom¨10:17. A FÉ pode existir
em diversos graus de intensidade, Rom¨4:19-20; 14:1. Os apóstolos, quando
sentiam a fraqueza da sua FÉ, pediram a JESUS que ela lhes fosse aumentada,
Luc¨17:5. A FÉ opera pelo amor, Gál¨5:6, e vence o mundo, 1ªJoão¨5:4. Apesar
de sua grande importância, não é a maior das graças cristãs, a maior de
todas elas é a caridade, ou o amor, 1ªCor¨13:13.
O sistema de DOUTRINA REVELADA por DEUS para a SALVAÇÃO, chama-se FÉ,
At¨6:7, 24:24; Rom¨1:5, etc.
A BÍBLIA SAGRADA nos diz, em Heb¨11:1; Ora a FÉ é o firme fundamento
das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.
Todo o capítulo 11 da carta aos hebreus, nos relata sobre esta
gloriosa realidade.
Destas quatro fontes de definição acerca da palavra FÉ, podemos
verificar que a mesma, é algo muito importante na vida do ser humano,
principalmente na vida do crente em JESUS CRISTO, pois a mesma é uma
característica essencial à vida CRISTÃ, visto que, sem a mesma, nos
diz a BÍBLIA SAGRADA em Heb¨11:6 “É IMPOSSÍVEL AGRADAR A DEUS”.
Podemos, portanto, dizer que FÉ, é:
Confiança, ou crença em alguma coisa ou em alguém, ou nos dois em conjunto.
Neste caso, a FÉ CRISTÃ é:
Confiança ou crença em DEUS e em todos os seus relatos e ensinamentos,
registrados na sua palavra, a BÍBLIA SAGRADA.
II, FÉ.
A palavra FÉ é, em termos de tamanho, praticamente insignificante.
Como palavra, é apenas uma sílaba com duas letras, sendo a segunda acentuada.
Porém, a FÉ, é um assunto, extremamente, grandioso, em vista do quanto
pode ser alcançado, e realizado, por intermédio da mesma (não por
intermédio da palavra, mas, por intermédio da FÉ que cada pessoa tem e
coloca em prática).
A FÉ é uma qualidade inata do ser humano, a qual, o acompanha durante
toda a sua vida material (a não ser as pessoas destituídas da razão).
A FÉ permeia todas as decisões da vida, bem como, todas as conquistas.
Até as derrotas e ou os fracassos, têm enorme relação com a FÉ, já
que, a FÉ é que leva um ser humano a realizar algo que, após
realizado, não produza os resultados esperados.
A FÉ, como já dissemos, pode ser aplicada, numa grande quantidade de
aspectos, por isso, quando se fala sobre FÉ, é necessário saber qual a área
da FÉ que está sendo tratada, para evitar confusão ou desentendimento.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 5.
Hebreus¨11:1, nos ensina que a FÉ é o firme fundamento das coisas que
se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.
Desta forma, a FÉ está ligada ao invisível (ainda que seja real e
verdadeira), principalmente a FÉ CRISTÃ, a qual, está baseada no
invisível e não no visível, como podemos ver, também, em 2ªCor¨5:7.
III, ESPÉCIES DE FÉ.
Trataremos neste capítulo, de duas áreas amplas nas quais as pessoas
agem através da FÉ ou dela usufruem:
1, FÉ NATURAL.
2, FÉ CRISTÃ.
Estas duas áreas com suas subdivisões, cremos, abarcam todas as
situações da vida do ser humano.
III, 1, FÉ NATURAL.
Como o próprio nome indica, FÉ natural é a FÉ que todo o ser humano
normal possui.
Já um bebê a possui¨! Quando ele chora, sua FÉ natural está sendo
colocada em ação, aguarda ser atendido e logo alguém o atende (a não
ser em casos excepcionais).
Tanto as pessoas crentes, como as não crentes possuem a FÉ natural.
Não confundamos, portanto, a FÉ natural com a FÉ CRISTÃ, aquela todos
os seres humanos normais são dotados, esta, provinda de DEUS, apenas
as pessoas salvas por JESUS CRISTO a possuem.
Porém, repetimos, tanto as pessoas crentes como as não crentes possuem
a FÉ natural.
A FÉ natural, da qual todo o ser humano é possuidor, é que possibilita
ao homem normal usufruir de todas as dimensões e áreas da FÉ.
A FÉ NATURAL, TODAS AS PESSOAS NORMAIS POSSUEM, QUER SEJAM OU NÃO
SALVAS, E PODEMOS VERIFICÁ-LA, EM PELO MENOS TRÊS ASPECTOS.
A, FÉ NATURAL EM PESSOAS, OU ORGANIZAÇÕES.
B, FÉ NATURAL ADQUIRIDA.
C, FÉ NATURAL REALIZADORA.
Vejamos cada um destes itens em particular.
III, 1, A, FÉ NATURAL EM PESSOAS E OU ORGANIZAÇÕES.
Quando uma pessoa vai consultar-se com um médico, chama um pedreiro,
um encanador, um eletricista, etc, para resolver algum problema em
cada uma destas áreas específicas, está colocando em prática a sua FÉ
natural numa pessoa (profissional).
Quando isto acontece, a pessoa confia, tem FÉ, ou crê que a pessoa
(profissional) escolhida resolverá o seu problema.
Quando alguém faz um empréstimo em dinheiro a outra pessoa, está
colocando em prática sua FÉ natural numa pessoa, visto que, espera
receber, da mesma, seu dinheiro de volta.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 6.
Quando uma pessoa compra um objeto ou aparelho numa loja comercial, e
concorda em que a entrega do objeto comprado seja feita em sua casa no
dia seguinte, está colocando em prática sua FÉ natural numa
organização comercial.
Quando uma pessoa abre uma conta bancária, lá depositando todas as
suas economias, está colocando em prática sua FÉ natural numa
organização, qual seja, um estabelecimento bancário.
Quando alguém, através de um advogado, entra na justiça para resolver
um problema, está colocando em prática sua FÉ natural numa pessoa
(advogado), bem como, numa organização oficial (a justiça).
Quando alguém, ou organização, exige o reconhecimento de uma firma em
cartório, está colocando em prática sua FÉ natural numa outra
organização oficial (o cartório).
Os exemplos seriam inúmeros, porém, cremos que estes são suficientes
para o nosso propósito.
III, 1, B, FÉ NATURAL ADQUIRIDA.
A FÉ natural adquirida, é a FÉ que vem através do estudo e da
experiência pessoal.
Pelo estudo, o homem tem FÉ nas fórmulas matemáticas, nas mais
variadas áreas da ciência, etc, e até na área espiritual.
Pela experiência (FÉ experimental), o homem comprova ensinamentos
alheios (em laboratórios pessoais, ou escolares), bem como, dependendo
de suas experiências, pode aprender coisas novas, aumentando assim,
seus conhecimentos e, por isso, a sua FÉ.
Pela experiência, o homem sabe que:
Dois mais dois são quatro.
A vacina protege o organismo humano de uma grave enfermidade.
Quem trabalha (salvo, raras exceções), recebe o seu salário na
época estipulada.
Quem toma um ônibus tem FÉ que o mesmo levará ao local esperado.
Na área espiritual, aprendemos pela experiência que DEUS é bom e justo.
Etc., etc., etc.
Quanto mais conhecimentos uma pessoa adquire, mais confiança vai tendo
em si própria.
III, 1, C, FÉ NATURAL REALIZADORA.
A FÉ natural realizadora, é um tipo de FÉ natural, da qual todas as
pessoas normais possuem em maior ou menor intensidade.
Tanto as pessoas salvas por JESUS CRISTO, quanto as não salvas,
possuem a FÉ realizadora.
Porém as pessoas SALVAS POR JESUS CRISTO, têm tanto a FÉ realizadora
natural, como poderão receber de DEUS, o DOM ESPIRITUAL DA FÉ
REALIZADORA, 1ªCor¨12:9.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 7.
III, 1, C, a, A FÉ NATURAL REALIZADORA NA VIDA DE UMA PESSOA NÃO
SALVA POR JESUS CRISTO.
Uma pessoa não salva por JESUS CRISTO, está limitada a ter apenas a FÉ
realizadora natural, ficando, portanto, suas realizações limitadas
apenas aos aspectos naturais do ser humano, tais como:
01, Estudar e formar-se em uma área específica.
02, Aprender uma profissão.
03, Construir uma habitação.
04, Construir um edifício.
05, Construir uma ponte.
06, Descobrir, ou criar, uma vacina, ou um remédio para uma
determinada enfermidade.
07, Vencer uma competição esportiva.
08, Dirigir um automóvel.
09, Montar e comandar uma firma comercial.
10, Etc., Tc, etc.
Não esperemos portanto, nada além de realizações naturais, de uma
pessoa não salva por JESUS CRISTO, visto que a mesma não pode, de
forma alguma, ir além do que está capacitada.
III, 1, D, LIMITAÇÕES DA FÉ NATURAL.
A FÉ natural pode, infelizmente, levar uma pessoa a cometer erros,
quer se trate de decisões única e exclusivamente pessoais, ou de
decisões baseadas na FÉ em outras pessoas e ou em organizações,
portanto, em vista desse problema, cada um de nós deve averiguar com
muita atenção as decisões a serem tomadas e baseadas na FÉ natural.
III, 2, FÉ CRISTÃ.
Quando nos referimos à FÉ CRISTÃ, não nos referimos à FÉ humana
natural e comum, da qual todo o ser humano normal é dotado.
A FÉ CRISTÃ, só é possível, por uma deferência toda especial de DEUS,
em prol do ser humano, visto que, por si só, é impossível ao ser
humano chegar a ter a FÉ CRISTè!
Assim sendo, para que um ser humano chegue a ter a FÉ CRISTÃ, há de
recebê-la, como um DOM DE DEUS (um presente imerecido de DEUS), porém
necessário e imprescindível, sem o qual, jamais alguém seria ou se
tornaria CRISTÃO, Ef¨2:8.
A FÉ CRISTÃ, É EXCLUSIVIDADE DAS PESSOAS CRENTES (SALVAS POR JESUS
CRISTO) E PODE SER VERIFICADA, TAMBÉM EM PELO MENOS TRÊS ASPECTOS.
A, O DOM DE DEUS DA FÉ CRISTÃ SALVADORA (ESPIRITUAL).
B, O DOM DE DEUS DA FÉ CRISTÃ ADQUIRIDA (ESPIRITUAL).
C, O DOM DE DEUS DA FÉ CRISTÃ REALIZADORA, (ESPIRITUAL).
Vejamos cada um destes itens em particular.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 8.
III, 2, A, O DOM DE DEUS DA FÉ CRISTÃ SALVADORA (ESPIRITUAL).
Como já vimos, a FÉ CRISTÃ, é imprescindível para que uma pessoa seja
CRISTÃ e seja por isso, crente em JESUS CRISTO.
Por crente em JESUS CRISTO consideramos, apenas, aquela pessoa que crê
em JESUS CRISTO como seu ÚNICO E SUFICIENTE SALVADOR.
ÚNICO SALVADOR, At¨4:12.
SUFICIENTE SALVADOR, João¨3:18, 6:37-40, 10:27-30.
A FÉ SALVADORA, é dada por DEUS (DOM DA FÉ SALVADORA) a toda a pessoa
que, após haver sido EVANGELIZADA, dá lugar à PALAVRA DE DEUS,
responde afirmativamente ao trabalho do ESPÍRITO SANTO em seu coração, João¨16:7-11, e aceita a JESUS CRISTO, como seu ÚNICO E SUFICIENTE
SALVADOR, João¨6:37-40, 10:27-30; At¨4:12.
O DOM DA FÉ SALVADORA, é igual para todos os SALVOS POR JESUS
CRISTO, Ef¨4:5.
Desta forma, uma pessoa salva por JESUS CRISTO, tem a mesma FÉ SALVADORA de
todas as demais pessoas SALVAS em todos os tempos e em todos os lugares.
Nosso estudo sobre a DOUTRINA CRISTÃ DA SALVAÇÃO ETERNA, nos
esclarece mais sobre este assunto.
III, 2, B, O DOM DE DEUS DA FÉ CRISTÃ ADQUIRIDA (ESPIRITUAL).
O DOM DE DEUS DA FÉ ADQUIRIDA (ESPIRITUAL) é a FÉ no conjunto de
verdades BÍBLICO-DOUTRINÁRIAS, a qual, é alcançada através do estudo
da BÍBLIA SAGRADA.
Este tipo de FÉ, também é um tipo de FÉ diferenciada, visto que, só é
possível tê-la uma pessoa SALVA POR JESUS CRISTO, pois só a pessoa
SALVA POR JESUS CRISTO tem a capacidade para entender e crer em tudo o
que DEUS revela e ensina, visto que é filha de DEUS, João¨1:12, e por
isso mesmo, possuidora, portadora e ou habitada pelo ESPÍRITO SANTO, 1ªCor¨3:16, 6:19; 2ªCor¨6:16; Gál¨3:26; Ef¨1:13-14.
Esta FÉ, visto tratar-se das VERDADES REVELADAS por DEUS em sua
PALAVRA são imutáveis, entretanto, há a necessidade de esforço
pessoal, para adquiri-la, o que acontece pouco a pouco, através da
leitura, estudo e meditação da PALAVRA DE DEUS, quer seja em grupo,
com a IGREJA, ou até mesmo isolado dos demais irmãos.
Por isso, DEUS capacita a IGREJA DE JESUS CRISTO, com irmãos dotados
com os mais variados DONS ESPIRITUAIS, os quais, são necessários para
o crescimento espiritual, e para o aprimoramento no conhecimento das
verdades BÍBLICO-DOUTRINÁRIAS imprescindíveis a todos os filhos de
DEUS, Ef¨4:1-16.
É bom saber que: Ainda que a FÉ adquirida possa ser diferenciada entre
os vários crentes, ou seja, uns poderão conhecer mais do que outros,
jamais poderá haver discrepância entre os vários irmãos, já que a FÉ a
ser adquirida é imutável, porque foi dada de uma vez para sempre aos
santos (crentes ou salvos), Jud¨3.
Quanto mais conhecimentos BÍBLICO-DOUTRINÁRIOS um crente adquire, mais
confiança vai tendo, para falar acerca das verdades imutáveis da
PALAVRA DE DEUS.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 9.
III, 2, C, O DOM DE DEUS DA FÉ CRISTÃ REALIZADORA, (ESPIRITUAL).
Além da FÉ CRISTÃ SALVADORA, e da FÉ CRISTÃ ADQUIRIDA, DEUS dota
alguns irmãos com outro tipo de fé, a FÉ CRISTÃ REALIZADORA, (DOM
ESPIRITUAL DA FÉ REALIZADORA, TAMBÉM ESPIRITUAL), 1ªCor¨12:9.
A FÉ CRISTÃ REALIZADORA (DOM ESPIRITUAL DA FÉ REALIZADORA), difere da
FÉ CRISTÃ SALVADORA, bem como da FÉ CRISTÃ ADQUIRIDA.
A FÉ CRISTÃ REALIZADORA, é um DOM ESPIRITUAL dado a algum crente, para
realizar a obra de DEUS.
A FÉ CRISTÃ SALVADORA é igual para todos os crentes.
A FÉ CRISTÃ ADQUIRIDA é maior ou menor, dependendo do esforço pessoal,
bem como da capacidade de cada crente, quanto ao estudo e assimilação
da PALAVRA DE DEUS.
Romanos¨12:3 nos fala em pensarmos com moderação conforme a medida da
FÉ que DEUS repartiu a cada um.
Já a FÉ CRISTÃ REALIZADORA (DOM ESPIRITUAL DA FÉ REALIZADORA) é a capacidade
dada pelo ESPÍRITO SANTO, para que um crente realize a obra de DEUS.
Por isso, entre a FÉ CRISTÃ SALVADORA, a FÉ CRISTÃ ADQUIRIDA e a FÉ
CRISTÃ REALIZADORA, há grandes diferenças.
De uma certa forma, todos os SALVOS POR JESUS CRISTO, realizam algo
para o REINO DE DEUS; entretanto, não há dúvida quanto ao fato,
incontestável, de que há alguns crentes que realizam obras tais, que
se sobressaem às dos demais irmãos.
Tais obras são possíveis, graças ao DOM ESPIRITUAL DA FÉ REALIZADORA.
O DOM ESPIRITUAL DA FÉ REALIZADORA, com o qual alguns irmãos são
dotados, é que possibilita a realização das várias e gloriosas obras,
levadas a efeito, pelo povo de DEUS na propagação do EVANGELHO, bem
como na extensão da sua OBRA.
Não fora o DOM ESPIRITUAL DA FÉ REALIZADORA dado pelo ESPÍRITO SANTO,
toda a OBRA DE DEUS seria creditada aos crentes.
Porém, toda a obra realizada e levada a efeito pelo povo de DEUS, em prol da
sua obra, tem no comando o próprio DEUS, o qual, na pessoa divina do
ESPÍRITO SANTO é quem outorga todos os DONS ESPIRITUAIS ao seu POVO,
incluindo, naturalmente, o DOM ESPIRITUAL DA FÉ REALIZADORA, 1ªCor¨12:1-31.
Por isso, jamais esqueçamos que todos os louros da vitória do povo de
DEUS, hão de ser, totalmente, creditados ao próprio DEUS.
Como já vimos além da FÉ realizadora natural, a pessoa salva por JESUS
CRISTO, pode, a critério do ESPÍRITO SANTO receber, também, o DOM DA
FÉ REALIZADORA, 1ªCor¨12:9.
O DOM ESPIRITUAL DA FÉ REALIZADORA, capacita a pessoa salva por JESUS
CRISTO a realizar algo mais, e muito além do que a simples capacidade
que a FÉ realizadora natural proporciona a todo e qualquer indivíduo.
O DOM ESPIRITUAL DA FÉ REALIZADORA, é usado por DEUS, principalmente e
acima de tudo, para a prosperidade da sua OBRA.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 10.
A prosperidade da OBRA DE DEUS, acontece em muitas áreas, tais como:
01, Abertura de um campo missionário.
02, Abertura de um ponto de pregação.
03, Organização de uma nova IGREJA.
04, Organização de uma escola teológica.
05, Atividades sociais.
06, Evangelização, nas mais variadas frentes.
07, Discipulado.
08, Construção de um templo.
09, Etc., etc., etc.
IV, A DIMENSÃO DA FÉ.
Há quem diga, defenda, ensine e pregue, que a FÉ é igual para todas as
pessoas, e ponto final.
Isto, só acontece, devido à negligência quanto à leitura e estudo da
PALAVRA DE DEUS.
A FÉ SALVADORA, não negamos, é igual em todos os salvos, visto que, só
há um SALVADOR, o qual morreu por todos, por isso, não há FÉ SALVADORA
diferenciada entre o povo de DEUS, Ef¨4:5.
Já, nos demais tipos de FÉ, é só dar uma olhada, ainda que não muito atenta
à PALAVRA DE DEUS, para nos depararmos, com vários graus ou dimensões de fé.
Vejamos a seguir, a veracidade desta declaração.
IV, 1, PEQUENA OU POUCA FÉ, Mat¨6:30, 8:26, 14:31, 17:20;
Luc¨12:28, 17:5; 2ªCor¨10:15.
IV, 2, GRANDE FÉ, Mat¨8:10, 15:28.
IV, 3, FÉ INCOMPLETA, 1ªTess¨3:10.
IV, 4, FÉ ENFERMA, Rom¨14:1.
Como vimos, à luz da PALAVRA DE DEUS, a FÉ pode ser, pelo menos,
pequena, grande, incompleta e enferma, ou seja, fraca, por isso, DEUS
nos fala em medida de FÉ, Rom¨12:3.
V, A FÉ E A ORAÇÃO.
A oração é para todos os efeitos, uma conversa, ou um diálogo, com DEUS.
A oração é uma prática imprescindível, na vida de todas as pessoas
SALVAS POR JESUS CRISTO.
Todas os seres humanos SALVOS POR JESUS CRISTO, com toda a certeza,
têm ou possuem FÉ em DEUS.
A FÉ em JESUS CRISTO COMO ÚNICO E SUFICIENTE SALVADOR é indispensável
para que o homem converse com DEUS, visto que, para que tal aconteça,
há a necessidade de um intermediário entre o homem e DEUS, o qual, não
há sombra de dúvidas é o próprio JESUS CRISTO, 1ªTim¨2:5.
A oração, há de ser realizada com FÉ, sem a qual, é impossível agradar
a DEUS, Heb¨11:6.
Além da FÉ SALVADORA, o crente há de orar com FÉ na onipresença,
onisciência, onipotência, santidade, justiça e amor de DEUS.
Nosso estudo sobre a DOUTRINA CRISTÃ DA ORAÇÃO, nos alongamos neste assunto.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 11.
VI, A FÉ, ELO DE LIGAÇÃO ENTRE OS MUNDOS SUBJETIVO E OBJETIVO DO
SER HUMANO.
Este assunto, não o podemos encontrar claramente na BÍBLIA SAGRADA,
entretanto, o crente em JESUS CRISTO há de estar ciente dele, pois o
mesmo, abre as portas do entendimento, para uma gama muito elevada de
acontecimentos da vida.
o ser humano vive em dois mundos, quais sejam:
1, O MUNDO SUBJETIVO.
2, O MUNDO OBJETIVO.
O mundo subjetivo do ser humano é composto por todos os poderes e
vontades, que se encontram totalmente dentro do ser humano.
Entretanto, todos estes poderes e vontades, só podem ser manifestados
e satisfeitas, através do que há no mundo objetivo.
O mundo objetivo, consiste em tudo o que está fora do homem.
A água, o fogo, o alimento, o combustível, o automóvel, o vestuário,
etc., etc., etc., fazem parte do mundo objetivo do ser humano.
Até o SALVADOR JESUS CRISTO, está no mundo objetivo.
É no mundo objetivo que o ser humano encontra tudo o que pode
satisfazer as necessidades do mundo subjetivo.
Há portanto, um intercâmbio entre os mundos subjetivo e objetivo, para
que haja a satisfação da vontade do ser humano, no que concerne ao seu
mundo subjetivo.
Tal intercâmbio, só é possível, através, ou por intermédio, da FÉ.
A FÉ é, como que, a ponte de ligação entre os mundos subjetivo e
objetivo do ser humano.
Por exemplo, uma pessoa tem fome, a qual é uma necessidade do mundo
subjetivo.
Pela FÉ, tal pessoa procura alimento, o qual se encontra no mundo
objetivo, pela FÉ a pessoa buca-o alimenta-se e fica alimentada, com
isso, prolonga a vida por mais algum tempo.
Na vida humana, tudo acontece desta forma.
Também no que concerne à SALVAÇÃO ETERNA.
Ao ser EVANGELIZADA, a pessoa sente necessidade de um SALVADOR.
O SALVADOR só pode ser encontrado no mundo objetivo.
JESUS CRISTO, que só pode ser encontrado no mundo objetivo, é o único
SALVADOR, At¨4:12.
Pela FÉ a pessoa aceita a JESUS CRISTO COMO ÚNICO E SUFICIENTE SALVADOR.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 12.
Como resultado das promessas de DEUS, relativas a JESUS CRISTO, o
homem crê no SALVADOR e em sua SALVAÇÃO ETERNA e passa a ser uma
pessoa SALVA POR JESUS CRISTO, João¨3:16-18; Rom¨8:1-2; Ef¨2:8.
E por isso torna-se filho de DEUS, João¨1:12; Gál¨3:26.
Desde que haja desejos e ou necessidades, os mesmos serão satisfeitos,
desde que o ser humano lance mão e tome posse do que está ao seu
alcance e ou à sua disposição no mundo objetivo.
Nosso estudo doutrinário sobre O HOMEM é mais profundo sobre este assunto.
VII, A FÉ E ALGUNS CORRELATOS.
Algumas considerações sobre alguns assuntos relacionados à FÉ, quer
seja no aspecto positivo, quer no negativo.
VII, 1, A FÉ E A FALTA DE FÉ.
Como já vimos, todo o ser humano normal tem pelo menos a FÉ
natural, portanto, é impossível ao homem normal, estar,
totalmente, destituído de FÉ.
O que pode acontecer, é que em alguns aspectos, uma pessoa em particular,
não tenha FÉ num determinado aspecto, vejamos alguns exemplos:
01, Uma pessoa não crê que o homem foi à Lua.
02, Uma criança não crê que papai noel seja uma farsa.
03, Uma pessoa não crê que JESUS CRISTO salva um ser humano, apenas,
por meio da FÉ.
04, Etc., etc., etc.
VII, 2, A FÉ E A CONFIANÇA.
A confiança, nos vem do verbo confiar e significa:
01, TER FÉ, ESPERAR.
02, TER ESPERANÇA EM ALGUÉM, OU ALGO.
03, COMUNICAR EM CONFIANÇA.
Confiança é sinônimo de FÉ.
Uma pessoa que confia, tem FÉ em alguma coisa ou em alguma pessoa.
Além do que, quem confia em alguma coisa ou em alguma pessoa, comunica
aos outros, para que estes também venham adquirir a mesma FÉ,
File¨1:4-6.
Vem daí o exercício da EVANGELIZAÇÃO.
VII, 3, A FÉ E A DESCONFIANÇA.
Se confiança é sinônimo de FÉ, desconfiança é antônimo.
Por isso, quem desconfia, não tem FÉ em alguma coisa, ou em alguém.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 13.
VII, 4, A FÉ E A CRENÇA (CREDULIDADE).
Segundo o minidicionário Aurélio, crença é:
01, Ato ou efeito de crer.
02, Fé religiosa.
03, Convicção íntima.
Desta forma, a FÉ e a crença também são palavras sinônimas, de tal
forma, que uma pessoa que crê, ou é crédula, tem FÉ.
VII, 5, A FÉ E A DESCRENÇA (INCREDULIDADE).
A descrença, á antônimo de FÉ, desta forma, quem não tem FÉ é
descrente, ou incrédulo.
Ao aparecer aos discípulos, depois de ressuscitado, JESUS CRISTO falou
para Tomé: “Não sejas incrédulo, mas crente”, João¨20:27.
VII, 6, A FÉ E A FIDELIDADE.
Segundo o minidicionário Aurélio, a fidelidade é:
01, Qualidade de fiel.
Entre outras coisas, para fiel, o mesmo dicionário nos diz:
01, Digno de fé, honrado.
02, Que não falha; seguro.
03, Que professa uma religião.
04, Pontual, exato.
Assim sendo, a fidelidade, está ligada, não apenas à crença ou ao
que se crê.
A FIDELIDADE CRISTÃ, é um pouco mais complexa, pois a mesma implica tanto
em ter a FÉ CRISTÃ, quanto no compromisso e responsabilidade, de não
haver falha, insegurança, ou traição pessoal, concernente à FÉ CRISTÃ.
O maior exemplo disto está no próprio DEUS, Deut¨7:9; 1ªCor¨10:13;
2ªCor¨1:18; e em JESUS CRISTO, 2ªTim¨2:13; Heb¨2:9-18-(17).
Tudo isto só é possível para uma pessoa que seja genuinamente CRISTÃ,
pois, a mesma jamais poderá trair a sua FÉ, já que para a FÉ CRISTÃ
não há arrependimento, é isso o que DEUS nos garante em 2ªCor¨7:10.
VII, 7, A FÉ E A INFIDELIDADE.
A infidelidade, é antônimo de fidelidade.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 14.
VIII, VÁRIAS PASSAGENS BÍBLICAS RELATIVAS À FÉ E A ASSUNTOS
CORRELATOS, EXTRAÍDAS DA BÍBLIA SAGRADA.
01, Devido à FÉ de Abrão, DEUS imputou-lhe justiça, Gên¨15:6.
02, Menor sou que toda a tua FIDELIDADE, Gên¨32:10.
03, Jacó não ACREDITAVA no que estava ouvindo, Gên¨45:26.
04, Moisés não ACREDITAVA no sucesso da sua missão, mas DEUS o
convenceu, Êx¨4:1-23.
05, O povo israelita CREU que a sua libertação estava próxima, Êx¨4:27-31.
06, Ao ver os sinais de DEUS, o povo israelita CREU, inclinou-se e
adorou, Êx¨4:30-31.
07, DEUS precisou intervir, para que o povo CRESSE em Moisés, Êx¨19:9.
08, Porque Moisés era FIEL em todo o Israel, DEUS falava com ele boca
a boca, Núm¨12:6-8.
09, Até quando este povo não CRERÁ em mim¨? Pergunta o SENHOR, Núm¨14:11.
10, INFIDELIDADE, causa de julgamento e morte, Núm¨14:33.
11, A lembrança e observância da PALAVRA DE DEUS, resguarda da
INFIDELIDADE, Núm¨15:39.
12, Moisés e Arão pecaram não CRENDO no SENHOR, por isso, não entraram
em Canaã, Núm¨20:12.
13, Apesar de muitas evidências, muitas pessoas não CONFIAM no SENHOR,
Deut¨1:30-33¨(32).
14, DEUS é FIEL, Deut¨7:9.
15, Moisés lembra que o povo não CREU nem obedeceu à voz do
SENHOR, Deut¨9:23.
16, A sentença determinada deve ser cumprida FIELMENTE, Deut¨17:9-10.
17, A nossa CONFIANÇA deve estar em DEUS, não nas coisas visíveis,
Deut¨28:52.
18, Os dois espias israelitas prometem misericórdia e FIDELIDADE a
Raabe, Josué¨2:14.
19, Devido à desobediência do sacerdote Eli, DEUS levantaria para si,
um sacerdote FIEL, 1ºSam¨2:35.
20, Samuel exorta o povo a servir FIELMENTE a DEUS, 1ºSam¨12:24.
21, Aimeleque afirma a Saul que Davi lhe é FIEL, 1ºSam¨22:14.
22, CONFIAR em homens, nem sempre dá bom resultado, 1ºSam¨27:12.
23, Davi pede a beneficência e FIDELIDADE de DEUS, para com os homens,
de Jabes-Gileade, que haviam sepultado Saul, 2ºSam¨2:4-6.
24, Leva teus irmãos contigo, com beneficência e FIDELIDADE, 2ºSam¨15:20.
25, DEUS é o rochedo de quem nele CONFIA, 2ºSam¨22:3.
26, A PALAVRA do SENHOR é o escudo de todos os que nele CONFIAM,
2ºSam¨22:31.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 15.
27, A rainha de Sabá não CRIA no que lhe falavam acerca de Salomão,
1ºReis¨10:7.
28, Os homens que faziam os pagamentos, agiam com FIDELIDADE, 2ºReis¨12:15.
29, O povo israelita ia de mal a pior, por não CRER no SENHOR, 2ºReis¨17:14.
30, Os homens que reparavam a casa do SENHOR, agiam com FIDELIDADE,
2ºReis¨22:7.
31, Salomão teve CONFIANÇA para orar para orar na presença de DEUS,
1ºCrô¨17:25.
32, A rainha de Sabá não CRIA no que lhe falavam acerca de Salomão,
2ºCrô¨9:6.
33, Os judeus prevaleceram sobre os israelitas, porque confiavam no
SENHOR DEUS, 2ºCrô¨13:18.
34, Asa na hora da agonia, clama a DEUS com CONFIANÇA, 2ºCrô¨14:11.
35, Jeosafá ordenou aos sacerdotes e levitas, que temessem ao SENHOR,
com FIDELIDADE e coração íntegro, 2ºCrô¨19:9.
36, CREDE no SENHOR vosso DEUS, e estareis seguros, 2ºCrô¨20:20.
37, CREDE nos profetas do SENHOR, e prosperareis, 2ºCrô¨20:20.
38, Ezequias mandou preparar câmaras na casa do SENHOR, onde
colocaram FIELMENTE as ofertas, os dízimos e as coisas
consagradas, 2ºCrô¨31:11-12.
39, Os encarregados de algum trabalho, devem fazê-lo com FIDELIDADE,
2ºCrô¨31:15.
40, Em oração, Neemias diz que DEUS achou o coração de Abraão FIEL,
Neem¨9:7-8.
41, Neemias reconhece que, mesmo com todo o sofrimento que se abateu
sobre Israel, DEUS agiu FIELMENTE, Neem¨9:33.
42, Segundo Elifaz, DEUS não CONFIA nos seus servos, Jó¨4:18.
43, A CONFIANÇA, pode confundir, Jó¨6:20.
44, Bildabe diz que a CONFIANÇA de todos os que se esquecem de DEUS,
será como a teia de aranha, Jó¨8:13-14.
45, Segundo Elifaz, DEUS não CONFIA nos seus santos, Jó¨15:15.
46, Segundo Elifaz, a vaidade é a recompensa de quem CONFIA na
vaidade, Jó¨15:31.
47, Quem CONFIA no SENHOR é bem-aventurado, Sal¨2:12.
48, A CONFIANÇA em DEUS, deve ser acompanhada de boas obras, Sal¨4:5.
49, Quem CONFIA no SENHOR, deve alegrar-se, Sal¨5:11.
50, O salmista suplica a DEUS, pois nele CONFIA, Sal¨7:1.
51, O salmista, CONFIA na benignidade de DEUS, Sal¨13:5.
52, CONFIAR em DEUS é CONFIAR num escudo, Sal¨18:30.
53, O testemunho do SENHOR é FIEL, Sal¨19:7.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 16.
54, A exemplo do rei, quem CONFIA no SENHOR, nunca vacilará, Sal¨21:7.
55, Os antepassados CONFIARAM em DEUS, tiveram livramento e não foram
confundidos, Sal¨22:4-5.
56, Zombaria não tira a CONFIANÇA do crente, Sal¨22:7-10.
57, O salmista não vacila na sua CONFIANÇA em DEUS, Sal¨26:1.
58, A CONFIANÇA em DEUS, permanece, mesmo em tempo de guerra, Sal¨27:3.
59, O salmista CRÊ que verá a bondade do SENHOR na Terra dos viventes,
Sal¨27:13.
60, O salmista se alegra, pela CONFIANÇA que teve em DEUS, Sal¨28:7.
61, A misericórdia cerca quem CONFIA em DEUS, Sal¨32:10.
62, Todas as obras de DEUS, são FIÉIS, Sal¨33:4.
63, Quem CONFIA em DEUS, tem alegria no coração, Sal¨33:20-22.
64, A FIDELIDADE do SENHOR, chega até as nuvens, Sal¨36:5.
65, Quem CONFIA no SENHOR, deve praticar boas obras, Sal¨37:3.
66, Nossa vida deve ser entregue a DEUS com CONFIANÇA, Sal¨37:5.
67, Pelo testemunho, muitos CONFIARÃO no SENHOR, Sal¨40:3.
68, Bem-aventurado, quem põe no SENHOR a sua CONFIANÇA, Sal¨40:4.
69, O salmista não ocultou a FIDELIDADE de DEUS, Sal¨40:10.
70, CONFIAR no homem, nem sempre leva a bom termo, Sal¨41:9.
71, O salmista CONFIA em DEUS, não nas armas, Sal¨44:6.
72, Contraste entre quem CONFIA em DEUS e quem não CONFIA, Sal¨52:1-9.
73, O salmista promete CONFIAR no SENHOR, mesmo diante da desgraça dos
infiéis, Sal¨55:23.
74, Uma das características do justo, é CONFIAR em DEUS, Sal¨64:10.
75, Profissão de FÉ e disposição de anunciar as obras de DEUS, Sal¨73:28.
76, O salmista reconhece que seus antepassados não foram FIÉIS a DEUS,
Sal¨78:8.
77, Quem põe sua CONFIANÇA no SENHOR, é bem-aventurado, Sal¨84:12.
78, Quem CONFIA no SENHOR, está num refúgio e numa fortaleza, Sal¨91:2.
79, Bom é anunciar a FIDELIDADE de DEUS, Sal¨92:2.
80, Ao verem as obras de DEUS, os israelitas CRERAM, Sal¨106:11-12.
81, Quem não CONFIA na promessa de DEUS, é castigado, Sal¨106:24-27.
82, Quem CONFIA em DEUS, não teme maus rumores, Sal¨112:7.
83, Quem CONFIA nos ídolos, torne-se tal como eles, Sal¨115:8.
84, Exortação a CONFIAR no SENHOR, Sal¨115:9-11.
85, É melhor refugiar-se em DEUS, do que CONFIAR nos homens, Sal¨118:8-9.
86, Quem CONFIA na PALAVRA DE DEUS, tem o que responder aos
adversários, Sal¨119:42.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 17.
87, O salmista afirma que CREU nos mandamentos de DEUS, Sal¨119:66.
88, Em sua FIDELIDADE, o SENHOR afligiu o salmista, Sal¨119:75.
89, A FIDELIDADE do SENHOR, dura de geração a geração, Sal¨119:90.
90, Os testemunhos do SENHOR, são retos e muito FIÉIS, Sal¨119:138.
91, Quem CONFIA no SENHOR, é firme como o monte de Sião, Sal¨125:1-2.
92, Quem CONFIA nos ídolos, tornem-se semelhante a eles, Sal¨135:15-18.
93, Quem CONFIA no SENHOR, está atento à sua PALAVRA, Sal¨143:8.
94, Exortação a não CONFIAR em homens, Sal¨146:3.
95, Filho meu, não se afaste de ti a FIDELIDADE, Prov¨3:3.
96, Exortação a CONFIAR no SENHOR, de todo o coração, Prov¨3:5.
97, Não devemos maquinar o mal, contra quem CONFIA em nós, Prov¨3:29.
98, O FIEL de espírito, guarda segredos, Prov¨11:13.
99, A CONFIANÇA nas riquezas, é causa de queda, Prov¨11:28.
100, O embaixador FIEL é saúde, Prov¨13:17.
101, Há FIDELIDADE para os que praticam o bem, Prov¨14:22.
102, Que teme ao SENHOR tem firme CONFIANÇA, Prov¨14:26.
103, Quem CONFIA no SENHOR, é bem-aventurado, Prov¨16:20.
104, Quem achará o homem FIDEDIGNO¨? Prov¨20:6.
105, O mensageiro FIEL, refresca a alma dos seus senhores, Prov¨25:13.
106, A CONFIANÇA no homem desleal, é tempo perdido, Prov¨25:19.
107, O homem FIEL, será coberto de bênçãos, Prov¨28:20.
108, Quem CONFIA no SENHOR, prosperará, Prov¨28:25.
109, CONFIAR em si mesmo, é insensatez, Prov¨28:26.
110, Quem CONFIA no SENHOR, será posto em alto retiro, Prov¨29:25.
111, A PALAVRA DE DEUS é escudo para quem nele CONFIA, Prov¨30:5.
112, O marido CONFIA na esposa virtuosa, Prov¨11-12.
113, Profissão de FÉ, Is¨12:2.
114, Quem CONFIA no SENHOR, é conservado em paz, Is¨26:3.
115, Exortação a CONFIAR em perpetuamente em DEUS, Is¨26:4.
116, Quem CRÊ na pedra preciosa de esquina (JESUS) não se apresse,
Is¨28:16.
117, Não CONFIAR em DEUS, é rebeldia, Is¨30:1-2.
118, Rejeitar a PALAVRA DE DEUS e CONFIAR na opressão é prenúncio de
derrota, Is¨30:12:14.
119, Na CONFIANÇA em DEUS, há sossego e força, Is¨30:15.
120, Desgraçado de quem ao invés de CONFIAR em DEUS, confia no poderio
bélico, Is¨31:1.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 18.
121, Os que CONFIAM em imagens, confurdir-se-ão de vergonha, Is¨42:17.
122, As testemunhas do SENHOR CRÊEM em DEUS, e que fora de DEUS, não
há Salvador, Is¨43:10.
123, CONFIAR na maldade, é causa de perversão, Is¨47:10.
124, O SENHOR é FIEL, Is¨49:7.
125, Quem anda em trevas, CONFIE no SENHOR, Is¨50:10.
126, Diferença entre a CONFIANÇA em DEUS e nos ídolos, Is¨57:13.
127, Israel foi plantado, como uma semente FIEL, Jer¨2:21.
128, Quem CONFIA nas coisas naturais, tem uma FÉ vã, Jer¨3:23.
129, CONFIAR no poderio bélico, não livra, Jer¨5:17.
130, CONFIAR em palavras falsas, não produz nenhum proveito, Jer¨7:8.
131, Maldito quem CONFIA no homem, Jer¨17:5.
132, Bendito quem CONFIA no SENHOR, Jer¨17:7.
133, Um profeta do diabo, faz com que o povo CONFIE numa mentira,
Jer¨28:15, 29:31.
134, CONFIANÇA em DEUS, causa de livramento, Jer¨39:17-18.
135, Os chefes das forças pedem que o SENHOR seja testemunha
verdadeira e FIEL, Jer¨42:5.
136, Quem CONFIA no poderio humano ao invés de CONFIAR em DEUS é
castigado, Jer¨46:25-26 a.
137, Grande é a FIDELIDADE do SENHOR, Lam¨3:23.
138, CONFIAR na justiça pessoal, não dá o direito de praticar
iniqüidade, Ez¨33:13.
139, Daniel revela o sonho de Nabucodonozor e lhe diz: Certo é o sonho
e FIEL a interpretação, Dan¨2:45.
140, Sadraque, Mesaque e Abedenego CONFIARAM em DEUS, e foram libertos
do fogo da fornalha, Dan¨3:28.
141, Segundo seus adversários, Daniel era FIEL, Dan¨6:4.
142, Daniel CREU em DEUS, e foi liberto da bestialidade dos leões, quando
colocado, durante uma noite, numa cova com os mesmos, Dan¨6:23.
143, Haverá intimidade em FIDELIDADE entre os judeus e DEUS, Osé¨2:20.
144, Um povo que CONFIA em si mesmo, colhe maus frutos, Osé¨10:13-15.
145, Apesar da desobediência de Israel, Judá está FIEL, Osé¨11:12.
146, O SENHOR dará a Jacó a FIDELIDADE, Miq¨7:20.
147, O SENHOR conhece os que nele CONFIAM, Naum¨1:7.
148, Ninguém ACREDITARIA na obra que DEUS mostrou, ao profeta
Habacuque, que realizaria, Haba¨1:5.
149, A CONFIANÇA em ídolos, não traz proveito algum, Haba¨2:18-20.
150, Mesmo entre os pobres e humildes, sempre há alguém que CONFIA no
SENHOR, Sof¨3:12.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 19.
151, Ninguém deve ser INFIEL para com a mulher da sua mocidade, Mal¨2:15.
152, Homens de pequena FÉ, Mat¨6:30.
153, FÉ comparada, entre seres humanos (diferença de FÉ), Mat¨8:10.
154, O centurião foi atendido, conforme a sua FÉ, Mat¨8:13.
155, Homens de pouca FÉ, Mat¨8:26.
156, A FÉ é vista por JESUS CRISTO (DEUS), Mat¨9:2.
157, FÉ que salva, Mat¨9:22.
158, JESUS CRISTO pergunta aos cegos se CRÊEM no seu poder, Mat¨9:28.
159, FÉ atendida, Mat¨9:29.
160, Pouca FÉ, Mat¨14:31.
161, Grande FÉ, Mat¨15:28.
162, Pouca FÉ, Mat¨16:8.
163, Pouca FÉ, Mat¨17:20.
164, Grandes realizações por meio da FÉ, Mat¨17:20.
165, Palavra de JESUS para quem fizer tropeçar um pequenino que CRÊ
nele, Mat¨18:6.
166, Grandes realizações por meio da FÉ, Mat¨21:21.
167, Os sacerdotes e principais do povo, por não darem crédito à
mensagem de João não CRERAM nele, ao invés dos publicanos e
meretrizes, Mat¨21:32.
168, O povo de DEUS, não deve ACREDITAR em mentiras, Mat¨24:23-27.
169, Quem é o servo FIEL e prudente, Mat¨24:45.
170, A FIDELIDADE no pouco, poderá colocar o FIEL sobre muito,
Mat¨25:21-23.
171, CREDE no EVANGELHO, Mar¨1:15.
172, Timidez provocada pela falta de FÉ, Mar¨4:40.
173, FÉ que salva, Mar¨5:34.
174, JESUS se admirou da INCREDULIDADE dos seus conterrâneos, Mar¨6:6.
175, Os que CONFIAM em riquezas, têm muita dificuldade para entrar no
no reino de DEUS, Mar¨10:24.
176, JESUS exorta a ter FÉ em DEUS, Mar¨11:22.
177, Os apóstolos não CRERAM no testemunho de Maria Madalena,
Mar¨16:9-11.
178, JESUS lança em rosto a INCREDULIDADE dos apóstolos, Mar¨16:14.
179, Quem não CRER será condenado, Mar¨16:16.
180, Isabel chama Maria de bem-aventurada porque CREU na PALAVRA do
SENHOR, Luc¨1:45.
181, FÉ comparada, Luc¨7:9.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 20.
182, O diabo tira a PALAVRA do coração, de muitos que a ouviram, para
que não se salvem, CRENDO, Luc¨8:12.
183, Algumas pessoas não CRÊEM de verdade, CRÊEM apenas por algum
tempo, Luc¨8:13.
184, FÉ que salva, Luc¨8:48.
185, CRÊ somente, disse JESUS ao chefe da sinagoga, cuja filha havia
morrido, Luc¨8:50.
186, A CONFIANÇA em qualquer coisa, nada garante, contra o mais
poderoso, Luc¨11:22.
187, Pouca FÉ, Luc¨12:28.
188, Qual é o mordomo FIEL e prudente¨? Luc¨12:42.
189, A quem muito é CONFIADO, muito é exigido, Luc¨12:48.
190, Quem é FIEL no mínimo, também é FIEL no muito, Luc¨16:10.
191, Quem não CRÊ na PALAVRA DE DEUS, também não ACREDITARÁ na palavra de
alguma pessoa morta que se lhe apresente para falar DELA, Luc¨16:31.
192, Solicitação a JESUS para acrescentar a FÉ, Luc¨17:5.
193, Grandes coisas poderão ser realizadas por intermédio da FÉ, Luc¨17:6.
194, Possibilidade de desfalecimento na FÉ, Luc¨22:32.
195, Se JESUS dissesse ser o CRISTO, os anciãos não CRERIAM, Luc¨22:66-67.
196, JESUS critica os apóstolos, por não CREREM nas profecias, Luc¨24:25.
197, Os apóstolos não ACREDITAVAM que estavam vendo JESUS, Luc¨24:41.
198, João Batista veio, para que todos CRESSEM por meio dele, João¨1:7.
199, Os que CRÊEM em JESUS CRISTO, tornam-se filhos de DEUS, João¨1:12.
200, Com a transformação da água em vinho, os discípulos de JESUS
CRERAM nele, João¨2:11.
201, Quando JESUS ressuscitou, os apóstolos CRERAM no que ele havia
dito, bem como nas ESCRITURAS, João¨2:18-22.
202, Muitos CRERAM em JESUS pelos sinais que ele fazia, mas JESUS não
CONFIAVA neles, João¨2:23-25.
203, Quem CRÊ em JESUS CRISTO, é salvo eternamente, quem não CRÊ, é
condenado eternamente, João¨3:15-18.
204, Muitos samaritanos CRERAM em JESUS pelo testemunho da mulher, mas
depois, pela própria palavra de JESUS CRISTO, João¨4:38-42.
205, Quem ouve a PALAVRA de JESUS, e CRÊ em DEUS, tem a Vida Eterna,
João¨5:24.
206, JESUS diz aos judeus, que se CRESSEM em Moisés, também CRERIAM
nele, João¨5:46.
207, Num diálogo com os judeus, na festa dos tabernáculos, muitos
CRERAM em JESUS, João¨7:31.
208, Quem CRÊ em JESUS CRISTO, recebe o ESPÍRITO SANTO, João¨7:38-39.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 21.
209, Quem não CRÊ em JESUS morre em seus pecados, João¨8:24.
210, JESUS disse aos judeus que CRERAM nele: Quem permanece na minha
PALAVRA é meu verdadeiro discípulo, João¨8:29-32.
211, Mesmo ouvindo a verdade, muitos não CRÊEM, João¨8:45-46.
212, Os judeus não CRERAM que JESUS curara um cego, João¨9:18.
213, O cego curado CREU em JESUS, João¨9:35-38.
214, Quem CRÊ em JESUS, ainda que esteja morto, viverá, João¨11:25-27.
215, Os fariseus e o sinédrio disseram: Se o deixarmos assim, todas as
pessoas CRERÃO nele, João¨11:48.
216, Quem CRÊ em JESUS, CRÊ no PAI, João¨12:44-45.
217, Quem CRÊ em JESUS não permanece em trevas, João¨12:46.
218, JESUS fala do que acontecerá, para que quando acontecer haja FÉ
nele, João¨13:19.
219, Quem CRÊ em DEUS, também deve CRER em JESUS, João¨14:1-3.
220, JESUS orou pelos que CRIAM e pelos que CRERIAM nele, João¨17:20-21.
221, João diz a verdade, para que quem souber do seu testemunho,
também CREIA, João¨19:35.
222, O outro discípulo (João) de Pedro, viu que JESUS havia
ressuscitado e CREU, João¨20:8.
223, O EVANGELHO de João, foi escrito, para que quem o ler CREIA em JESUS
CRISTO, e para que quem CRER, tenha vida em seu nome, João¨20:30-31.
224, O poder da FÉ, no nome de JESUS, At¨3:16.
225, Muitos que ouviram a PALAVRA, CRERAM, At¨4:4.
226, Homem cheio de FÉ, At¨6:5.
227, Obediência à FÉ, At¨6:7.
228, Profissão de FÉ do eunuco, At¨8:37.
229, Em Jerusalém, todos temiam Saulo, pois não CRIAM que fosse
discípulo, At¨9:26.
230, O perdão dos pecados, é concedido a quem CRÊ em JESUS CRISTO,
At¨10:43.
231, Pedro reconhece que os gentios também CRERAM no SENHOR JESUS, At¨11:17.
232, O EVANGELHO se espalhou e muitos CRERAM no SENHOR, At¨11:19-21.
233, Homem cheio de FÉ, At¨11:24.
234, Um servo do diabo tentando desviar a FÉ de quem escuta, At¨13:8.
235, O procônsul CREU maravilhado na doutrina do SENHOR, At¨13:12.
236, JESUS CRISTO justifica a todo o que nele CRÊ, At¨13:39.
237, Em Icônio uma multidão de judeus e gregos CRERAM, At¨14:1.
238, Exortação à permanência na FÉ, At¨14:22.
239, A porta da FÉ aberta aos gentios, At¨14:27.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 22.
240, IGREJAS fortalecidas ou confirmadas na FÉ, At¨16:5.
241, Invocando sua FIDELIDADE ao SENHOR, Lídia rogou que Paulo
entrasse em sua casa, At¨16:15.
242, Em Beréia muitos CRERAM, At¨17:10-12.
243, Um chefe de sinagoga CRÊ no SENHOR, At¨18:8.
244, O testemunho da FÉ em JESUS CRISTO, At¨20:21.
245, Paulo CRÊ na LEI e nos profetas, At¨24:14.
246, Santificação pela FÉ em JESUS CRISTO, At¨26:18.
247, FÉ causadora de obediência, Rom¨1:5.
248, FÉ da IGREJA divulgada, Rom¨1:8.
249, O EVANGELHO é o poder de DEUS para SALVAÇÃO de todo o que CRÊ, Rom¨1:16.
250, O justo viverá da FÉ, Rom¨1:17.
251, A INCREDULIDADE humana, não anula a FIDELIDADE de DEUS, Rom¨3:3.
252, FÉ, causa de manifestação da justiça de DEUS para todos os que
CRÊEM, Rom¨3:22.
253, FÉ em JESUS, causa de demonstração da justiça de DEUS, Rom¨3:25-26.
254, FÉ, causa da exclusão da vaidade da obediência à LEI, Rom¨3:27.
255, FÉ, causa da justificação Divina, sem as obras da Lei, Rom¨3:28.
256, A LEI não é anulada pela FÉ, Rom¨3:31.
257, FÉ de Abraão, causa de imputação de justiça, Rom¨4:3.
258, Quem CRÊ em DEUS, a sua FÉ lhe é imputada como justiça, Rom¨4:5.
259, Abraão é pai (espiritual) de todos os que CRÊEM, Rom¨4:11.
260, A FÉ em JESUS CRISTO, causa da justificação de DEUS, Rom¨5:1.
261, A justiça (justificação) que vem da FÉ, Rom¨9:30.
262, Quem CRÊ na PEDRA de TROPEÇO, não é confundido, Rom¨9:33.
263, Palavra da FÉ, pregada, Rom¨10:8.
264, FÉ (CRISTÃ), chega ao homem pelo ouvir a PALAVRA DE DEUS, Rom¨10:17.
265, Aquele que DEUS enche de FÉ, deve abundar na esperança pelo poder
do ESPÍRITO SANTO, Rom¨15:13.
266, Todas as nações devem conhecer a PALAVRA DE DEUS, a fim de virem
a obedecer à FÉ, Rom¨16:26.
267, DEUS é FIEL, 1ªCor¨1:9.
268, Pela loucura da pregação, DEUS SALVA os que CRÊEM, 1ªCor¨1:21.
269, Apolo e Paulo são ministros, pelos quais os crentes de Corinto
CRERAM, 1ªCor¨3:5.
270, O requerido dos despenseiros de DEUS, é que sejam FIÉIS, 1ªCor¨4:1-2.
271, Quem é FIEL, é porque alcançou misericórdia do SENHOR, 1ªCor¨7:25.
272, A FÉ, não é a maior virtude do CRISTÃO, 1ªCor¨13:2.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 23.
273, A FÉ é um dos DONS ESPIRITUAIS, 1ªCor¨12:9.
274, A FÉ, está ligada à esperança e ao amor, 1ªCor¨13:13.
275, Se estivesse baseada na mentira, a FÉ CRISTÃ, seria vã,
1ªCor¨15:14, 17.
276, A firmeza na FÉ, é essencial ao CRISTÃO, 1ªCor¨16:13.
277, A FÉ, é interna, é do coração, não necessita de coisas visíveis
para ser verdadeira e real, 2ªCor¨5:7.
278, Paulo CONFIA nos crentes de Corinto, 2ªCor¨7:16.
279, O CRISTÃO deve abundar na FÉ, 2ªCor¨8:7.
280, A FÉ, pode crescer, 2ªCor¨10:15.
281, O crente deve examinar-se acerca da sua FÉ, 2ªCor¨13:5.
282, A FÉ verdadeira muda as pessoas, Gál¨1:23.
283, O EVANGELHO da incircuncisão, foi CONFIADO a Paulo, Gál¨2:7.
284, A justificação Divina, não é pelas obras da LEI, mas pela FÉ em
JESUS CRISTO, Gál¨2:16.
285, O ESPÍRITO SANTO, é dado a quem ouve acerca da FÉ e atende o
chamado, Gál¨3:2.
286, Quem é da FÉ, é filho de Abraão, Gál¨3:7.
287, Quem é da FÉ, é abençoado com Abraão, Gál¨3:9.
288, O justo viverá da FÉ, Gál¨3:11.
289, A FÉ, causa do recebimento do ESPÍRITO SANTO, Gál¨3:14.
290, A LEI serviu de aio, para conduzir a CRISTO para, pela FÉ, haver
a justificação, Gál¨3:24.
291, A FÉ em JESUS CRISTO, faz do ser humano, um FILHO de DEUS, Gál¨3:26.
292, A esperança da justiça, é aguardada pela FÉ, Gál¨5:5.
293, A FIDELIDADE faz parte do fruto do ESPÍRITO, Gál¨5:22.
294, A beneficência da IGREJA deve ser feita primeiramente aos
domésticos da FÉ, Gál¨6:10.
295, Quem CRÊ em JESUS CRISTO, é alvo da grandeza e do poder de
DEUS, Ef¨1:19.
296, A SALVAÇÃO ETERNA, é dada por DEUS, por meio da FÉ, Ef¨2:8.
297, Pela FÉ, CRISTO habita no coração dos crentes, Ef¨3:17.
298, Uma só FÉ (Salvadora). Uma só FÉ (doutrinária), Ef¨4:5.
299, A unanimidade da FÉ, é desejada por DEUS, dentro da IGREJA de
JESUS CRISTO, Ef¨4:13.
300, A FÉ CRISTÃ, é um escudo intransponível (desde que
verdadeira), Ef¨6:16.
301, Quem CRÊ em JESUS CRISTO deve estar disposto a padecer por ELE,
Filip¨1:29.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 24.
302, A justiça (justificação), vem de DEUS, pela FÉ em JESUS CRISTO,
Filip¨3:9.
303, A FÉ dos crentes testemunhada, Col¨1:4.
304, Firmeza da FÉ em Cristo, causa de alegria, Col¨2:5.
305, FÉ operosa, 1ªTess¨1:3.
306, FÉ divulgada, 1ªTess¨1:8.
307, O EVANGELHO foi CONFIADO a Paulo, 1ªTess¨2:4.
308, Exortação acerca da FÉ, 1ªTess¨3:2.
309, Boas novas acerca da FÉ dos irmãos, 1ªTess¨3:6.
310, Desejo de suprir o que falta à FÉ dos irmãos, 1ªTess¨3:10.
311, Quem CRÊ que JESUS morreu e ressuscitou deve CRER na ressurreição
dos mortos, 1ªTess¨4:14.
312, A FÉ é uma couraça para o crente, 1ªTess¨5:8.
313, Crescimento na FÉ, 2ªTess¨1:3.
314, FÉ constante, mesmo nas perseguições, 2ªTess¨1:4.
315, DEUS elegeu os crentes, para a FÉ na verdade, 2ªTess¨2:13.
316, A FÉ não é de todos, 2ªTess¨3:2.
317, O SENHOR é FIEL, 2ªTess¨3:3.
318, Paulo CONFIAVA na obediência dos crentes de Tessalônica, 2ªTess¨3:4.
319, A edificação de DEUS, funda-se na FÉ, 1ªTim¨1:4.
320, Possibilidade de haver uma FÉ fingida, 1ªTim¨1:5.
321, Paulo dá graças ao SENHOR, porque o teve por FIEL, 1ªTim¨1:12.
322, A graça do SENHOR superabunda com a FÉ e amor que há em CRISTO
JESUS, 1ªTim¨1:14.
323, Que CRISTO veio ao mundo para SALVAR os pecadores, é uma palavra
FIEL e digna de toda a aceitação, 1ªTim¨1:15.
324, Doutor dos gentios na FÉ, 1ªTim¨2:7.
325, Modéstia (sobriedade) na FÉ, 1ªTim¨2:15.
326, A FÉ é um mistério, 1ªTim¨3:9.
327, A confiança na FÉ, pode ser adquirida, 1ªTim¨3:13.
328, Afastamento, desvio, ou apostasia da FÉ (fé fingida), 1ªTim¨4:1.
329, DEUS é o Salvador de todos os homens, especialmente dos que
CRÊEM, 1ªTim¨4:10.
330, Quem tem FÉ, deve ser exemplo para os outros, 1ªTim¨4:12.
331, Quem diz que tem FÉ e não cuida dos seus, nega a FÉ e é pior do
que o INFIEL, 1ªTim¨5:8.
332, A cobiça pode desviar alguns da FÉ (fé fingida), 1ªTim¨6:10.
333, Afastamento, desvio, ou apostasia da FÉ (fé fingida), 1ªTim¨6:21.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 25.
334, A FÉ deve ser sempre lembrada, 2ªTim¨1:5.
335, Ensinamentos errados, podem perverter a FÉ de alguns, 2ªTim¨2:18.
336, Devemos viver a nossa FÉ com os irmãos na FÉ, 2ªTim¨2:22.
337, A FÉ em JESUS CRISTO, é sabedoria para a SALVAÇÃO ETERNA, 2ªTim¨3:15.
338, A FÉ guardada, 2ªTim¨4:7.
339, A palavra FIEL deve ser retida, Tito¨1:9.
340, Repreensão severa aos desobedientes, para que sejam sãos na FÉ,
Tito¨1:13.
341, Outra palavra FIEL, quem CRÊ em DEUS, deve aplicar-se às boas
obras, Tito¨3:8.
342, Paulo CONFIAVA na obediência de Filemom, File¨21.
343, O PAI CONFIOU no ministério do FILHO, Heb¨2:13.
344, JESUS CRISTO é sumo sacerdote misericordioso e FIEL, Heb¨2:17.
345, Uma exortação, para que não haja um coração mau e INFIEL para se
apartar DO DEUS vivo, Heb¨3:12.
346, Devemos chegar com CONFIANÇA ao trono da graça, Heb¨4:16.
347, A FÉ verdadeira deve ser imitada, Heb¨6:12.
348, A certeza da FÉ é uma necessidade, Heb¨10:22.
349, A CONFIANÇA em DEUS, tem grande galardão, Heb¨10:35.
350, O justo viverá da FÉ, Heb¨10:38.
351, Quem CRÊ de verdade, CRÊ para a conservação da alma, Heb¨10:39.
352, A FÉ, firme fundamento, Heb¨11:1.
353, A FÉ dá entendimento, Heb¨11:3.
354, A FÉ faz com que aconteçam maravilhas, Heb¨11:5.
355, Sem FÉ é impossível agradar a DEUS, Heb¨11:6.
356, Quem se aproxima de DEUS, CREIA que DEUS existe, Heb¨11:6.
357, A FÉ torna os crentes herdeiros da justiça, Heb¨11:7.
358, A FÉ, não necessita do que é visível, Heb¨11:13.
359, A FÉ faz com que o crente aceita provações, Heb¨11:17.
360, Pela FÉ, Jacó abençoou os netos (filhos de José), Heb¨11:21.
361, Pela FÉ, José profetizou a saída do seu povo do Egito, Heb¨11:22.
362, Pela FÉ, quando Moisés nasceu, seus pais o esconderam por três
meses, Heb¨11:23.
363, Pela FÉ, quando Moisés nasceu, seus pais o esconderam por três
meses, Heb¨11:23.
364, Pela FÉ, Moisés recusou pertencer à família real, Heb¨11:24-27.
365, Pela FÉ, Moisés fez muitas maravilhas, Heb¨11:28-29.
366, Pela FÉ, os muros da cidade de Jericó caíram, Heb¨11:30.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 26.
367, Pela FÉ, Raabe não morreu junto com os incrédulos, Heb¨11:31.
368, Pela FÉ, servos e servas de DEUS venceram reinos, praticaram a
justiça, alcançaram promessas e fecharam a boca dos leões, Heb¨11:33.
369, Pela FÉ, servos e servas de DEUS apagaram a força do fogo, escaparam ao
fio da espada, DEUS da fraqueza tiraram forças, tornaram-se poderosos na
guerra e puseram em fuga exércitos estrangeiros, Heb¨11:34.
370, Pela FÉ, mulheres receberam pela ressurreição seus mortos, Heb¨11:35a.
371, Pela FÉ, servos de DEUS foram torturados, Heb¨11:35b-40.
372, Pela FÉ, servos de DEUS experimentaram escárnios, açoites,
cadeias e prisões, Heb¨11:36.
373, Pela FÉ, servos de DEUS foram apedrejados, serrados, tentados,
mortos ao fio da espada, andaram vestidos de peles de ovelhas e
cabras, desamparados, aflitos e maltratados, Heb¨11:37.
374, O mundo não é digno dos que têm FÉ em DEUS, Heb¨11:38.
375, Pela FÉ, servos de DEUS andaram errantes pelos desertos e montes
e pelas covas e cavernas da Terra, Heb¨11:38.
376, JESUS CRISTO é o autor e consumador da FÉ, Heb¨12:2.
377, A FÉ quando provada, produz paciência, Tiago¨1:3.
378, Os pedidos feitos a DEUS, devem ser feitos com FÉ, Tiago¨1:6.
379, A FÉ pessoal não depende da aparência, Tiago¨2:1.
380, DEUS escolheu os pobres deste mundo, para serem ricos na FÉ, Tiago¨2:5.
381, CRER em um só DEUS, é bom, mas não basta, haja vista sobre os
demônios, os quais também CRÊEM e estremecem, e não tiram nenhum
proveito disso, Tiago¨2:19.
382, Quem tem FÉ está guardado na virtude de DEUS para a SALVAÇÃO, 1ªPed¨1:5.
383, A prova da FÉ é mais preciosa do que o ouro, 1ªPed¨1:7.
384, Quem CRÊ em JESUS CRISTO, exulta de alegria, 1ªPed¨1:8.
385, A finalidade da FÉ (FÉ SALVADORA) é a SALVAÇÃO ETERNA, 1ªPed¨1:9.
386, Por JESUS CRISTO, a FÉ e a esperança estão em DEUS, 1ªPed¨1:21.
387, O diabo deve ser resistido com firmeza de FÉ, 1ªPed¨5:9.
388, Quem sofre segundo a vontade de DEUS, CONFIE sua alma ao FIEL
CRIADOR, praticando o bem, 1ªPed¨4:19.
389, Unanimidade de FÉ, 2ªPed¨1:1.
390, A FÉ deve estar associada à virtude e à ciência, 2ªPed¨1:5.
391, JESUS CRISTO é FIEL e justo para nos perdoar os pecados, 1ªJoão¨1:9.
392, O mandamento de DEUS, é que CREIAMOS em JESUS CRISTO e nos amemos
uns aos outros, 1ªJoão¨3:23.
393, A FÉ verdadeira vence o mundo, 1ªJoão¨5:4.
394, João escreve a quem CRÊ no nome do FILHO de DEUS, para que saiba
que tem a Vida Eterna, 1ªJoão¨5:13.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 27.
395, Pedindo alguma coisa segundo a vontade de DEUS, CONFIAMOS em
recebê-la, 1ªJoão¨5:14-15.
396, Deve haver luta para que a FÉ (conjunto de verdades doutrinárias)
seja mantida na IGREJA de JESUS CRISTO, Jud¨3.
397, JESUS CRISTO é a FIEL testemunha, Apoc¨1:5.
398, Antipas, FIEL testemunha de JESUS CRISTO, Apoc¨2:13.
399, DEUS conhece a nossa FÉ, Apoc¨2:19.
400, A FÉ em JESUS é guardada pelos crentes, Apoc¨14:12.
CONCLUSÃO.
Ainda que de modo sucinto, estudamos sobre este importantíssimo tema
doutrinário, qual seja, A FÉ.
Cremos que o que aqui estudamos, nos ajudará não só a compreender mais
a fé, mas também a vivê-la, de modo mais consciente.
Vivamos, portanto, a nossa fé de acordo com o que aqui estudamos, para
que, tanto em nós, como em nossa IGREJA, haja paz e comunhão.
Não nos vangloriemos, pelo que DEUS fez, faz ou fará por nosso
intermédio, ou em virtude da nossa fé, visto que, como sabemos, todos
os louros da vitória lhe pertencem.
Glorifiquemos a DEUS, pelo SEU maravilhoso DOM, qual seja, O Dom
da Fé Salvadora, pelo qual, alcançamos, a MARAVILHOSA E GLORIOSA
SALVAÇÃO ETERNA.
DOUTRINA CRISTÃ DA FÉ .
www.pastorgilsondeoliveira.com. 28.
BIBLIOGRAFIA.
01, BÍBLIA SAGRADA.
Tradução, Almeida, João Ferreira de.
Edição corrigida e revisada fiel ao texto original.
Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, 1.994, 1.995, São Paulo, SP, Brasil.
02, CONCISO DICIONÁRIO DE TEOLOGIA CRISTÃ.
Erickson, Millard J.
JUERP, 1991, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
03, DICIONÁRIO DA BÍBLIA.
Davis, John D.
JUERP, 7a Edição, 1980, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
04, ESBOÇO DE TEOLOGIA SISTEMÁTICA.
Langston, A. B.
JUERP 8a edição, 1986, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
05, MINIDICIONÁRIO AURÉLIO.
Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda.
Editora Nova Fronteira, 1a Edição, 6a Impressão, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

TEOLOGIA - PARTE 30

Estudo Teológico Sobre Pacto
UMA BREVE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO PACTO
Parte I
Este artigo se propõe a estudar os elementos básicos da doutrina do pacto dentro da perspectiva da teologia bíblica. Para esse fim, o presente estudo é composto de uma breve análise histórica da doutrina do pacto, seguida de uma análise bíblica. As duas partes, ainda que relacionadas pelo tema, não são, necessariamente, interdependentes. A parte histórica visa dar ao leitor uma perspectiva quanto ao surgimento e controvérsias atuais em torno da doutrina, tendo como ponto focal a Confissão de Fé de Westminster (CFW). A análise bíblica visa dar as linhas gerais da teologia do pacto, tornando essa doutrina mais conhecida do público evangélico brasileiro. Ainda que a doutrina do pacto seja a base da teologia calvinista, e, portanto, a teologia oficial das igrejas de confissão reformada, seu desconhecimento por grande parte dos reformados é ainda muito grande. Não tenho neste artigo nenhuma pretensão de originalidade. Como veremos no corpo do texto, principalmente na análise histórica, a doutrina do pacto é antiga e amplamente debatida, abrindo pouco espaço para a originalidade.

Entre os vários autores contemporâneos que tratam da doutrina do pacto e formam o arcabouço de idéias expostas neste artigo estão G. Van Groningen, O. Palmer Robertson e William Dumbrell.(1) O leitor poderá notar que este artigo provê as linhas básicas da teologia bíblica proposta em artigos anteriores de Fides Reformata, como "Pregação no Antigo Testamento: É Mesmo Necessária?" e "Salmo 133: Interpretando o Texto numa Perspectiva Bíblico-Teológica."(2)

I. Histórico

A Confissão de Fé de Westminster, de meados do século XVII, trata da doutrina do pacto no seu capítulo VII:

DO PACTO DE DEUS COM O HOMEM

I. Tão grande é a distância entre Deus e a criatura, que, embora as criaturas racionais lhe devam obediência como seu Criador, nunca poderiam fruir nada dele, como bem-aventurança e recompensa, senão por alguma voluntária condescendência da parte de Deus, a qual agradou-lhe expressar por meio de um pacto.

II. O primeiro pacto feito com o homem era um pacto de obras; nesse pacto foi a vida prometida a Adão e, nele, à sua posteridade, sob a condição de perfeita e pessoal obediência.

III. Tendo-se o homem tornado, pela sua queda, incapaz de ter vida por meio deste pacto, o Senhor dignou-se a fazer um segundo pacto, geralmente chamado o pacto da graça; neste pacto da graça ele livremente oferece aos pecadores a vida e a salvação através de Jesus Cristo, exigindo deles a fé, para que sejam salvos, e prometendo o seu Santo Espírito a todos os que estão ordenados para a vida, a fim de dispô-los e habilitá-los a crer.(3)

O texto fala de dois pactos feitos com o ser humano. O primeiro foi feito com Adão antes da queda e é chamado de pacto de obras. No segundo, feito depois da queda, a salvação e a vida são oferecidas a "todos os que estão ordenados para a vida." Este é chamado de pacto da graça. Esses dois pactos estão "centralizados em torno do primeiro Adão e do segundo Adão, que é Cristo."(4) A teologia esposada na CFW é conhecida como teologia pactual ("covenant theology"), um sistema teológico em que o conceito de pacto serve como estrutura básica.(5) Segundo Paul Helm, "de acordo com a teologia pactual, todas as relações de Deus com o homem são pactuais, de caráter federal."(6) O termo federal vem do latim foedus, que significa pacto. Isto fez com que o sistema de exposição da teologia da CFW fosse chamado de teologia federal. Para delimitarmos o assunto do nosso artigo, em ambas as suas partes, a histórica e a bíblica, nos concentraremos no primeiro pacto, chamado pela CFW de pacto de obras. Em outro artigo estudaremos o segundo pacto, o chamado pacto da graça.

A história da doutrina do pacto de obras é longa e controvertida. O reconhecimento de um pacto antes da queda já aparece nos escritos de Agostinho, o bispo de Hipona, no quarto século: "O primeiro pacto, que foi feito com o primeiro homem, é este: No dia em que dela comerdes, certamente morrerás. " (7) Agostinho, discutindo a questão dos pactos bíblicos, afirma que "muitas coisas são chamadas de pactos de Deus além daqueles dois grandes, o novo e o velho... " (8) Porém, ainda que reconhecida desde cedo por teólogos como Agostinho, a doutrina do pacto de obras só foi desenvolvida bem mais tarde, pelos reformadores do século XVI. A nomenclatura pacto de obras, adotada pela CFW, não foi consensualmente aceita pelos reformadores e primeiros reformados. Uma nomenclatura diversa surgiu logo no princípio (por ex., pacto natural, pacto da criação, pacto edênico). Mais adiante, na elaboração do conceito bíblico de pacto, a questão do nome será considerada.

Assim como a questão do nome da doutrina foi controvertida no princípio, a sua origem como sistema teológico é motivo de controvérsia nos dias atuais. Já mencionamos anteriormente que o sistema teológico que envolve a teologia do pacto de obras é o sistema que ficou conhecido como teologia federal. Alguns historiadores apontam que o desenvolvimento da teologia federal propriamente dita é do século XVII, sendo portanto posterior a Calvino. Alguns vão mais longe e chegam a afirmar que a teologia de Calvino contradiz a idéia de um pacto de obras.(9) É preciso ser cauteloso quanto a esse tipo de conclusão. Isso reflete uma leitura equivocada da obra de Calvino e do desenvolvimento posterior da sua teologia feito pelos reformados.

Vejamos como se desenvolveu essa leitura. Quatro nomes, entre muitos, são mais diretamente associados com a teologia federal: Henrique Bullinger (1504-1575), Zacarias Ursino (1534–1583), Gaspar Oleviano (1536-1587) e João Cocceius (1603-1669). O primeiro deles publicou sua obra De testamento seu foedere Dei unico et aeterno (Uma Breve Exposição do Único e Eterno Testamento ou Pacto de Deus)(10) em 1534, dois anos antes da primeira publicação da obra de Calvino, as Institutas da Religião Cristã (1536). A exposição de Bullinger gira em torno do pacto como o "tema de toda a Escritura".(11) Segundo os historiadores McCoy e Baker, a obra do reformador suíço é o "primeiro trabalho que organiza o entendimento de Deus, da criação, da humanidade, da história humana e da sociedade em torno do pacto".(12) Ainda segundo McCoy e Baker, "Bullinger concluiu seu tratado com uma seção em que argúi que o cristianismo começou com Adão quando a aliança foi primeiramente feita com os seres humanos."(13) Portanto, nessa perspectiva, Bullinger trabalha sua teologia em torno de um pacto de obras, e sua teologia deve ser chamada de pactual. Baseados nessa observação os autores supra mencionados entendem que Bullinger deve ser tratado como o "pai" da teologia pactual. Observando, no entanto, a obra de Bullinger, é difícil de sustentar a afirmação de McCoy e Baker com respeito a um pacto de obras nesse autor.(14) McCoy e Baker seguem uma linha de historiadores que nega o pensamento da CFW como sendo um desenvolvimento da teologia de Calvino. Chegam a afirmar que designar a CFW como calvinista é um erro histórico, visto que a Teologia Federal tem suas raízes em Bullinger e não em Calvino.(15) Karlberg, avaliando as conclusões de McCoy e Baker, afirma:

A argumentação de que existiam duas escolas distintas dentro do Protestantismo Reformado primitivo, conforme vissem o pacto de Deus como bilateral ou unilateral, é grandemente exagerada. Desta forma, não podemos concordar com nossos autores [McCoy e Baker] quando afirmam que "as diferenças entre Bullinger e Calvino formam a base para duas linhas distintas, embora relacionadas, dentro da tradição reformada — federalismo e calvinismo." Essa leitura incorreta os leva a concluir: "Tornou-se comum entre os historiadores reduzir o pensamento reformado dos séculos XVI e XVII ao calvinismo. Este reducionismo até mesmo levou muitos a se referirem à Confissão de Fé de Westminster como uma declaração teológica calvinista. Ela é uma confissão Reformada, porém, muito mais um produto da tradição federal do que do elemento calvinista" (página 24).(16)

Outros teólogos (e historiadores) modernos tentam provar que essa linha de pensamento de McCoy e Baker é uma leitura correta. Alguns chegam ao extremo de dizer que Calvino desconhecia o conceito de pacto e, portanto, a teologia da CFW não pode estar associada ao nome do reformador. Entre eles encontramos D. Weir,(17) T. F. Torrance e R. T. Kendall, ainda que cada um deles defenda leituras diferentes sobre o que é a teologia do período pós-reforma.(18) No entanto, esta é uma corrente minoritária. O fato é que o que veio a ser conhecido como teologia calvinista não tem base somente nos ensinos de Calvino, mas também no ensino de outros teólogos que foram influenciados por Calvino e desenvolveram essa teologia. Percebe-se, por exemplo, que a teologia do pacto de obras é um ensino presente nos escritos de João Calvino, ainda que de forma incipiente. Nas Institutas da Religião Cristã, Calvino afirma, com relação a Adão e Noé e os sinais dos sacramentos (a árvore da vida e o arco-íris), que estes "tinham marca insculpida pela Palavra de Deus para que fossem provas e selos de seus concertos".(19) Calvino, portanto, considera a presença de um pacto antes da queda. As teologias de Ursino, Oleviano, Cocceius e Bullinger não se encontram em oposição ao pensamento de Calvino e da CFW. Ainda que usando uma terminologia variada (foedus naturale = pacto natural, foedus creationis = pacto da criação), a teologia expressa por esses teólogos tem muitos pontos de contato e tem sido legitimamente chamada de calvinismo, exatamente por terem sido influenciados por Calvino.(20)

Um exemplo dessas tentativas de provar uma discontinuidade entre Calvino e teólogos posteriores ocorreu na literatura reformada em português. Há alguns anos atrás (1990) foi publicado no Brasil um ensaio de R. T. Kendall, o sucessor de D. M. Lloyd-Jones na Capela de Westminster, em Londres, no qual o autor quis demonstrar que os reformados da Inglaterra, especialmente Beza (que não era inglês mas exerceu sua influência naquele país) e Perkins, modificaram a teologia de Calvino profundamente e levaram essa teologia modificada a ser sancionada pela Assembléia de Westminster.(21) A acusação de Kendall, em última análise, é à CFW como uma visão distorcida da teologia de Calvino, e não como um desenvolvimento da mesma. No entanto, a crítica de Kendall fica totalmente prejudicada quando, no mesmo artigo, o autor demonstra um conhecimento questionável da teologia de Calvino. Ao discutir a questão da segurança da salvação e a diferença dos pontos de vista de Calvino e Beza, Kendall afirma:

Ele [Calvino] apontava Cristo às pessoas pela mesma razão que Beza não podia fazê-lo: a questão da "extensão" da expiação. Calvino lhes indicava diretamente a Cristo, porque Cristo morreu indiscriminadamente por todas as pessoas. Beza não podia indicar Cristo diretamente às pessoas porque (segundo ele) Cristo não morrera por todos; Cristo morreu apenas para os eleitos.(22)

Kendall tem uma interpretação singular, quase solitária, da obra de Calvino, ao afirmar que Calvino cria numa "expiação universal". Ainda que Calvino não tenha, de fato, usado a expressão "expiação limitada," há evidências mais do que suficientes nos seus escritos de que ele não advogava uma "expiação sem limites." O próprio editor de Calvino e Sua Influência no Mundo Ocidental, W. Stanford Reid, onde o artigo de Kendall aparece, faz críticas severas ao trabalho original do mesmo (Calvin and English Calvinism to 1649),(23) concluindo que o argumento do autor no livro só pode ser considerado "não provado."(24)

Outro aspecto importante a ser observado no desenvolvimento da doutrina do pacto de obras é que nos seus primeiros estágios ela foi trabalhada principalmente de uma perspectiva sistemática. Isso porque a teologia sistemática e a teologia bíblica não eram dois campos de teologia distintos no período da reforma e imediatamente após a reforma. Isso gerou uma outra acusação. Weir chega a dizer que a "interpretação federal" parece derivar-se do pensamento sistemático, dogmático, e não do estudo exegético da Escritura."(25) No entanto, a descrição sistemática da teologia era uma característica essencial daquele período da história. A necessidade de argumentação lógica era fundamental naquele momento de profundas mudanças, o que não implica em falta de exegese bíblica. Os historiadores apontam para o discurso de J. P. Gabler(26) em 1787, como professor de teologia na universidade de Altdorf, como o primeiro a estabelecer a real diferença entre a teologia sistemática e a teologia bíblica. Para Gabler, a necessidade da distinção entre esses dois campos de estudo está no fato de não se poder mais distinguir na teologia sistemática entre o divino (revelação) e o humano (filosofia e especulação). Eram tantas as "teologias sistemáticas" de sua época, vindas de tantas origens diferentes, que na sua concepção era impossível separar a teologia com fonte na revelação e o pensamento filosófico dos diversos teólogos. A sua proposta é de uma volta aos escritos bíblicos e uma reformulação da sistemática:

Entretanto, tudo converge nisto, que por um lado nos apeguemos a um método justo para cautelosamente dar forma às nossas interpretações dos autores sagrados; por outro lado, que corretamente estabeleçamos o uso na dogmática destas interpretações e dos objetivos próprios da dogmática.(27)

O discurso de Gabler marca uma nova fase nos estudos da teologia, que se volta para o estudo da Escritura, porém de uma forma crítica. Os séculos XVIII e XIX, portanto, não foram muito frutíferos quanto ao desenvolvimento da teologia do pacto de obras. No entanto, ela permaneceu como peça fundamental entre os reformados até o nosso século. Ultimamente surgiu um novo interesse nos meios acadêmicos com relação a essa teologia. Na área da sistemática, o teólogo neo-ortodoxo Karl Barth deu à teologia do pacto um papel importante.(28) Na área da teologia bíblica foi o teólogo liberal Walter Eichrodt, em seu Old Testament Theology,(29) quem despertou novas controvérsias quando sugeriu que o tema do "pacto" servia como um tema central unificador (Mitte) para a teologia do Antigo Testamento, levantando a reação de outro teólogo do Antigo Testamento, G. Von Rad. No meio acadêmico reformado também houve um despertamento quanto ao estudo da teologia do pacto. Na área sistemática, a obra de L. Berkhof baseia todo o seu entendimento da situação da raça humana no pacto das obras. Na teologia bíblica, G. Vos, em seu Biblical Theology: Old and New Testaments,(30) desperta novos interesses entre os teólogos bíblicos ortodoxos. Somam-se a esses dois expoentes da teologia, entre muitos outros, os teólogos citados na introdução deste artigo: Robertson, Van Groningen e Dumbrell.

O interesse especial na obra desses três teólogos contemporâneos está na exposição que fazem do chamado pacto da criação, já mencionado anteriormente, como uma terminologia usada entre os primeiros reformados (ainda que os três não concordem em todos os pontos de sua teologia). O uso dessa terminologia, mais abrangente que a terminologia da CFW (pacto de obras), permite-nos entender alguns aspectos mais amplos da teologia pactual, como veremos em uma seção mais adiante. Ainda que essa terminologia seja proposta por teólogos bíblicos, ela em momento algum contradiz a terminologia sistemática.

II. Conceito de Pacto

O substantivo pacto significa, segundo o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa,(31) "ajuste", "convenção" ou "contrato". Estes três substantivos são também usados para definir o significado do substantivo aliança. Diferentes versões da Bíblia em português usam os substantivos pacto, aliança, acordo e concerto para traduzir o substantivo hebraico berith que aparece cerca de 290 vezes no Antigo Testamento.(32) Para todos esses sinônimos a idéia básica que encontramos é a de união entre duas partes, um pacto ou acordo bilateral. No entanto, até mesmo a etimologia do substantivo é grandemente discutida. Basta passar os olhos por alguns dicionários de teologia ou livros que tratem especificamente do assunto para verificar que há entre os estudiosos grande discordância. As posições mais defendidas são: (1) a de que berith é derivada do assírio birtu, que significa "laço", "vínculo"; (2) a de que o substantivo tem origem na raiz de barah, "comer," que aparece poucas vezes no Antigo Testamento (2 Sm 3.35; 12.17; 13.5; 13.6; 13.10; Lm 4.10), e está relacionado com a cerimônia que selava um acordo ou relacionamento entre partes; (3) a de que o substantivo está ligado à preposição bein "entre."(33) De todas estas a primeira posição é a mais aceita entre os estudiosos do Antigo Testamento.(34)

Da própria dificuldade em se estabelecer a origem e significado do termo berith surgem as primeiras divisões no seio daqueles que defendem a teologia pactual. Por exemplo, exatamente o que se quer dizer quando se fala em acordo? Isto implica em que as alianças bíblicas sejam "bilaterais"? Não se pode negar que a idéia de pacto traga consigo, no seu sentido mais natural, a bilateralidade, ou seja, duas partes são envolvidas em um pacto. Vários pactos acontecem entre duas pessoas, nações ou grupos na narrativa bíblica (ver Js 9.15; 1 Sm 20.16; 2 Sm 3.12-21; 5.1-3; 1 Rs 5.12); em certos casos um pacto é feito para resolver uma disputa entre partes (Gn 21.22-32; 26.26-33; 31.43-54).

Centenas de vezes o substantivo aparece no contexto de um pacto entre Deus e seres humanos. Como, nesse contexto, entender a bilateralidade? Um pacto implica sempre em igualdade entre as partes? Certamente que não. A bilateralidade, no contexto do pacto entre Deus e homens, implica tão somente em que duas partes estão envolvidas, mas não que exista a igualdade entre essas partes. Teólogos têm chamado esse tipo de aliança "unilateral" de "monergista," ou seja, iniciada e garantida por Deus nos seus termos. Portanto, estamos falando de uma aliança que não envolve um acordo de duas partes,(35) na qual não existe negociação de direitos e obrigações. Nesse sentido a aliança divino-humana é unilateral. É um compromisso feito pela iniciativa de Deus com relação à sua criação. O ser humano é um receptor da aliança divina. Isso se torna evidente no texto de Gênesis 17.2, que é traduzido para o português como — "Farei uma aliança entre mim e ti" — onde o verbo traduzido como "fazer" tem por raiz no hebraico o verbo "dar" (nathan), que nos daria, se traduzido literalmente, uma sentença sem sentido. No entanto, a força do argumento está no fato de que a raiz do verbo traduzido por "fazer" em português envolve algo que é dado: um pacto. O texto não reflete um acordo de duas partes iguais, com os mesmos direitos.

Esse tipo de pacto não é algo sem precedentes na história. Ele é ilustrado pelos pactos do antigo Oriente Próximo entre conquistadores e conquistados, reis e vassalos. Nesses casos, os conquistados, quando entravam em pacto com os conquistadores, não tinham o direito de propor qualquer coisa nos termos do pacto. Este tipo de pacto pressupõe a figura de uma parte "soberana". Um dos lados tem a vantagem do domínio e se propõe a cumprir um determinado papel; o outro, tendo também um papel a cumprir, se submete às exigências pactuais. No pacto divino-humano encontramos a relação criador-criatura, rei soberano-servo. Vários paralelos entre os pactos bíblicos e os pactos do antigo Oriente Próximo foram cuidadosamente descritos por Meredith Kline e servem como uma valiosa ajuda para entendermos os termos e significado do pacto entre Deus e a humanidade.(36) Um dos exemplos dados por Kline é a narrativa em Gênesis 15 do pacto com Abrão. Nos primeiros versículos o texto narra que Iavé aparece a Abrão e faz com ele uma aliança. Depois de colocados os termos da aliança, o texto narra nos versos 13-17 o desfecho:

Sabe, com certeza, que a tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos. Mas também eu julgarei a gente a que têm de sujeitar-se; e depois sairão com grandes riquezas. E tu irás para os teus pais em paz; serás sepultado em ditosa velhice. Na quarta geração, tornarão para aqui; porque não se encheu ainda a medida da iniqüidade dos amorreus. E sucedeu que, posto o sol, houve densas trevas; e eis um fogareiro fumegante e uma tocha de fogo que passou entre aqueles pedaços.

Todas as promessas são feitas por Deus a Abrão, do Rei soberano para o vassalo, do criador para a criatura. O ritual apresentado no versículo 17, em que Deus passa por entre os pedaços dos animais, é uma característica da forma como os pactos do antigo Oriente Próximo, entre soberanos e vassalos, eram selados. Teriam os autores bíblicos "tomado emprestado" o conceito antigo de pacto e aplicado à teologia? Essa é uma posição defendida por vários estudiosos. No entanto, como veremos mais adiante, penso que existam razões suficientes para se crer na idéia oposta a essa: os povos antigos, ao formularem seu modo de relacionamento social, refletiam a forma que o próprio Deus criador havia estabelecido para se relacionar com sua criatura.

A diferença fundamental entre os pactos humanos e o pacto divino-humano encontra-se na motivação do soberano Criador, que se propôs a criar e sustentar a sua criação, estabelecendo assim um vínculo que, segundo a própria Escritura, só pode ser um vínculo de amor.

O conceito de pacto, portanto, é um conceito que deve ser entendido dentro dos vários contextos onde aparece. Várias nuanças do pacto são dadas através dos verbos que acompanham o substantivo. Portanto, quando se trata do pacto divino-humano pode-se dizer que o pacto é um vínculo/elo de amor, iniciado e administrado pelo Deus triúno com a sua criação, representada pelos nossos pais.

III. Pacto e Criação

O substantivo berith (pacto) não aparece senão no capítulo 6 de Gênesis, estando, portanto, ausente da narrativa da criação e da queda (Gn 1–3). Como, então, falar de um "pacto da criação" se o termo sequer aparece na narrativa? Que evidências podem ser apresentadas?

Partindo-se do conceito da aliança como elo, laço, vínculo e relacionamento de amor, iniciado e administrado por Deus, verificamos que essa idéia é intrínseca na narrativa da criação. Destacamos, primeiramente, que ao criar Deus manteve um relacionamento com sua criação. Ele não só tinha o governo absoluto sobre ela, mas também mantinha tudo o que havia criado. De um dia da criação para o outro (dia um para o dia dois, dia dois para o dia três, etc.), Deus sustentava aquilo que, aparentemente, não podia ter auto-sustentação (pelo menos do ponto de vista do que chamamos de leis naturais). Assim, até que a criação estivesse completa, Deus estava sustentando de forma extraordinária a sua criação. Depois que ele terminou de fazer tudo o que havia proposto, a criação, com suas leis naturais, passou a se manter. Mesmo assim, sabemos que ele é o "sustentador de todas as coisas."

Em segundo lugar, ao criar o ser humano (Gn 1.26-28), Deus o criou à sua "imagem e semelhança". Incluídas nessa imagem e semelhança estão as habilidades de comunicação e relacionamento (e suas implicações como pensar, obedecer, discernir, e fazer opções), como o texto bíblico deixa bem claro a partir do segundo capítulo de Gênesis. Essa imagem e semelhança permite que o homem criado se relacione com o Criador. Temos, portanto, presente no relato da criação, a possibilidade do desenvolvimento de relacionamentos.

Em terceiro lugar, aprendemos da narrativa da criação que Deus deu responsabilidades ao ser humano (macho e fêmea). Entre elas se encontram obrigações de cuidar e desenvolver o que Deus havia colocado em suas mãos:

Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar... Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos céus, trouxe-os ao homem, para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria o nome deles (Gn 2.15,19).

Ao casal são dadas as responsabilidades de procriação, multiplicação e domínio refletidas nas bênçãos dadas a eles.

Em quarto lugar, verificamos que nesse relacionamento existe a verbalização clara da parte de Deus do que seriam as bênçãos e as possíveis maldições do pacto. Bênçãos e maldições são parte integrante dos pactos entre soberanos e vassalos no antigo Oriente Próximo.(37)

E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra (Gn 1.28). E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás (Gn 2.16-17).

As bênçãos são dadas ao homem e expressas em forma imperativa no verso 28: sede fecundos, multiplicai-vos, enchei, sujeitai, dominai. Em todos esses exemplos percebemos que o Criador está expressando à sua criatura mandatos em três áreas de relacionamento: espiritual, social e cultural.(38)

Essas características (soberania, sustento, relacionamento, responsabilidade, bênçãos e maldições) formam o conjunto de elementos do chamado pacto da criação.

Outras evidências levantadas para o pacto da criação são os textos de Oséias 6.7; Jeremias 33.20, 25, e Gênesis 6.18. Sem muitos detalhes exegéticos, exponho abaixo as razões principais porque se pensa que esses textos falam de um pacto da criação. Oséias 6.7 fala da transgressão de Adão contra o pacto: "Mas eles transgrediram a aliança, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim." Uma leitura simples e direta do texto reflete que havia um pacto entre Deus e Adão, portanto, um pacto pré-queda, que pode ser tido como o pacto da criação. Essa leitura reflete o pressuposto de que os escritores bíblicos tinham conhecimento de outros escritos bíblicos, anteriores e contemporâneos. Oséias estaria, portanto, falando do pacto da criação. Para alguns estudiosos, entretanto, isto não é admissível, considerando vários pressupostos diferentes do exposto acima. Eles adotam uma leitura diferente do texto, como a Bíblia na Linguagem de Hoje(39) "Mas na cidade de Adã o meu povo quebrou a aliança que fiz com ele e ali foi infiel a mim." De fato, existe uma cidade bíblica com esse nome (Js 3.16). No entanto, para que o texto de Oséias 6.7 seja traduzido como a Bíblia na Linguagem de Hoje sugere, é necessário que se faça uma emenda do texto hebraico, substituindo a preposição "como" por "em," sem que haja qualquer evidência da necessidade dessa troca.(40) Ainda mais, não se sabe de um pecado cometido pelo povo de Israel ao passar por aquele lugar que fosse registrado e então mencionado pelo profeta. Assim, esta proposta de leitura não acha qualquer argumento sustentável. Outra possível leitura provêm da tradução grega do Antigo Testamento, a Septuaginta (LXX), que traduz a expressão "como Adão" por "como homens."(41) Nesse caso, estaria implícito um pacto entre Deus e a humanidade.

O segundo texto, de Jeremias 33.20-21, faz referência a uma aliança com o dia e aliança com a noite:

Assim diz o SENHOR: Se puderdes invalidar a minha aliança com o dia e a minha aliança com a noite, de tal modo que não haja nem dia nem noite a seu tempo, poder-se-á também invalidar a minha aliança com Davi, meu servo, para que não tenha filho que reine no seu trono; como também com os levitas sacerdotes, meus ministros.

Nos versos 25-26 aparece a expressão "a minha aliança com o dia e com a noite." Comentaristas apontam para duas situações às quais Jeremias pode estar se referindo nesses versos: à criação ou ao pacto com Noé, onde Deus promete manter a ordem fixa das estações, dia e noite (Gn 8.22). Robertson explica, convincentemente, que o texto paralelo de Jeremias 31.35-36 confirma a primeira opção (criação) como melhor(42)

Assim diz o SENHOR, que dá o sol para a luz do dia e as leis fixas à lua e às estrelas para a luz da noite, que agita o mar e faz bramir as suas ondas; SENHOR dos Exércitos é o seu nome. Se falharem estas leis fixas diante de mim, diz o SENHOR, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre.

Assim, Jeremias estaria, ao falar do pacto com a casa de Israel e com Davi, refletindo o fundamento do pacto de Deus com a criação. Da mesma forma que o pacto estabelecido por Deus com a criação, "a aliança com o dia e com a noite," não pode ser invalidada, o pacto com Davi tem que ser e será mantido.

A tradução de Gênesis 6.18 é uma terceira evidência para se confirmar o pacto da criação.(43) O texto da versão portuguesa Revista e Atualizada diz: "Contigo, porém, estabelecerei a minha aliança; entrarás na arca, tu e teus filhos, e tua mulher, e as mulheres de teus filhos," confirmando a leitura da maioria das traduções em várias línguas. No entanto, o verbo traduzido como "estabelecerei," no hebraico pode ser traduzido como "continuar" ou "confirmar," a exemplo de Gênesis 26.3: "habita nela, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti e a tua descendência darei todas estas terras e confirmarei o juramento que fiz a Abraão, teu pai."(44) Se traduzido dessa forma, nos casos em que o texto português fala "estabelecerei," o texto traria "confirmarei":

Contigo, porém, confirmarei a minha aliança; entrarás na arca, tu e teus filhos, e tua mulher, e as mulheres de teus filhos" (Gn 6.18).

Eis que confirmo a minha aliança convosco, e com a vossa descendência, (10) e com todos os seres viventes que estão convosco: tanto as aves, os animais domésticos e os animais selváticos que saíram da arca como todos os animais da terra. (11) Confirmarei minha aliança convosco: não será mais destruída toda carne por águas de dilúvio, nem mais haverá dilúvio para destruir a terra (Gn 9.9-11).

Dessa forma, Deus estaria confirmando ou continuando uma aliança com Noé, uma aliança anteriormente estabelecida, esta só podendo ser a aliança ou pacto da criação.

Portanto, as evidências encontradas para se falar de um pacto da criação são fortes e consistentes, provando que os primeiros reformadores, que escreveram a esse respeito, tinham bases exegéticas sólidas para sua teologia. Esse pacto da criação, soberanamente administrado por Deus, engloba, numa terminologia mais abrangente, o que a CFW chama de pacto de obras.

Conclusão
Sendo a teologia reformada uma teologia de caráter pactual, é importante que nossos pastores e estudiosos, assim como líderes e leigos, que subscrevem as confissões reformadas, conheçam bem os fundamentos dessa teologia. Esses fundamentos bíblicos estão, de forma clara, contidos na CFW, que é uma exposição sistemática das principais doutrinas bíblicas. Voltando-nos para a teologia bíblica observamos que essas doutrinas, expostas de forma sistemática, têm fundamento bíblico e teológico. Ainda que usando uma terminologia diferente, a teologia sistemática e a teologia bíblica falam das mesmas verdades bíblicas de uma forma harmoniosa.

O pacto da criação é um conceito mais abrangente do que o conceito de pacto de obras na CFW. Falar do pacto da criação envolve o pacto de obras e falar do pacto de obras pressupõe o pacto da criação. Na próxima edição estaremos analisando outros aspectos do pacto da criação no período posterior à queda: sua continuidade, características e implicações.

Notas
1 G. Van Groningen, Revelação Messiânica no Velho Testamento (Campinas: Luz Para o Caminho, 1995) e Família da Aliança (São Paulo: Cultura Cristã, 1997); O. Palmer Robertson, O Cristo dos Pactos (Campinas: LPC, 1997); W. J. Dumbrell, Covenant and Creation: A Theology of Old Testament Covenants (Grand Rapids: Baker, 1984).

2 Mauro F. Meister, Fides Reformata 1:1 (1996), 5-10, e Fides Reformata 2:1 (1997), 29-38.

3 A Confissão de Fé, o Catecismo Maior, o Breve Catecismo, 1ª ed. especial (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1991), 41-43. Grifos meus.

4 Ibid., 135.

5 Ver definição em Mark Karlberg, "Covenant Theology and the Westminster Tradition," Westminster Theological Journal 54 (1992), 135-152, 136. Também, Donald MacKim, Westminster Dictionary of Theological Terms (Louisville: Westminster/John Knox, 1996), 103.

6 Paul Helm, "Calvin and the Covenant: Unity and Continuity," The Evangelical Quarterly 55 (1983), 65-81, 67. Minha tradução.

7 Alexander Roberts e James Donaldson, eds., Nicene and Post-Nicene Fathers, First Series: Volume II, CD-ROM (Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc.) 1997.

8 Ibid. Minha tradução.

9 David Weir, The Origins of the Federal Theology in Sixteenth Century Reformation Thought, (Oxford: Clarendon Press, 1990).

10 Traduzido para o inglês em Charles MacCoy e J. Wayne Baker, Fountainhed of Federalism: Heinrich Bullinger and the Covenantal Tradition (Louisville: Westminster/Jonh Knox, 1991), 99-138.

11 Ibid., 112.

12 Ibid., 9. Minha tradução.

13 Ibid. 20. Minha tradução.

14 Peter Alan Lillback, em "Ursinus’ Development of the Covenant of Creation: A Debt to Melanchton or Calvin?," Westminster Theological Journal 43 (1981), 247-281, 273, aponta para esse mesmo fato, ou seja, que um "pacto de obras" não aparece na obra de Bulinger.

15 MacCoy e Baker, Fountainhead of Federalism, 26-27. Minha tradução.

16 Mark W. Karlberg, resenha de McCoy e Baker, Fountainhead of Federalism, em Westminster Theological Journal 54 (1992), 180.

17 Weir, The Origins of the Federal Theology.

18 Ver Paul Helm, "Calvin and the Covenant," Evangelical Quarterly 55 (1983), 65-81, 66.

19 João Calvino, Institutas da Religião Cristã, trad. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: CEP/LPC, 1989), 276. A versão portuguesa optou por "concertos" como sinônimo de pactos.

20 Lillback demonstra com clareza as evidências do pacto de obras no trabalho de Calvino, "Ursinus’ Development of the Covenant of Creation," 281-286.

21 R.T. Kendall, "A Modificação Puritana da Teologia de Calvino," em W. Stanford Reid, ed., Calvino e Sua Influência no Mundo Ocidental (São Paulo: CEP, 1990), 245-265. Grifo meu.

22 Ibid., 253.

23 R. T. Kendall, Calvin and English Calvinism to 1649 (Oxford: Oxford University Press, 1979).

24 W. Stanford Reid, resenha em Westminster Theological Journal 43 (1980), 155-164. "‘Não provado’ é a única resposta que pode ser dada ao argumento do livro."

25 Weir, Origins of the Federal Theology, 158.

26 John Sandys-Wunsch e Laurence Eldredge, "J. P. Gabler and the Distinction Between Biblical and Dogmatic Theology: Translation, Commentary, and Discussion of his Originality," Scottish Journal of Theology 33 (1980), 133-158.

27 Ibid., 138. Minha tradução.

28 Ver Edward Ball, "Covenants," em A Dictionary of Biblical Interpretation, ed. R. J. Coggins e J. L. Houlden (Londres: SCM Press, 1990).

29 W. Eichrodt, Theology of the Old Testament, 2 vols. (Filadélfia: Westminster, 1961).

30 Gerhardus Vos, Biblical Theology (Grand Rapids: Eerdmans, 1976).

31 A. B. de Holanda Ferreira, Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 2ª edição revista e aumentada (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986).

32 Somente no pentateuco em Gn 6.18; 9.9; 9.11; 9.12; 9.13; 9.15; 9.16; 9.17; 14.13; 15.18; 17.2; 17.4; 17.7; 17.9; 17.10; 17.11; 17.13; 17.14; 17.19; 17.21; 21.27; 21.32; 26.28; 31.44; Ex 2.24; 6.4; 6.5; 19.5; 23.32; 24.7; 24.8; 31.16; 34.10; 34.12; 34.15; 34.27; 34.28, Lv 2.13; 24.8; 26.9; 26.15; 26.25; 26.42; 26.44; 26.45; Nm 10.33; 14.44; 18.19; 25.12; 25.13; Dt 4.13; 4.23; 4.31; 5.2; 5.3; 7.2; 7.9; 7.12; 8.18; 9.9; 9.11; 9.15; 10.8; 17.2; 29.1; 29.9; 29.12; 29.14; 29.21; 29.25; 31.9; 31.16; 31.20; 31.25; 31.26; 33.9 – 76 vezes.

33 Ver Laird Harris, Gleason Archer e Bruce Waltke, Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento (São Paulo: Vida Nova, 1998), verbete 282a; W. J. Dumbrell, Covenant and Creation: A Theology of Old Testament Covenants (Grand Rapids: Baker, 1984), 16. Também G. Vos, Biblical Theology: Old and New Testaments (Edimburgo: Banner of Truth, 1975), 257; O. P. Robertson, O Cristo dos Pactos (Campinas: LPC, 1997), 8-9, especialmente as notas 3 e 4.

34 Walter A. Elwell, Evangelical Dictionary of Theology (Grand Rapids: Baker, 1984), 277.

35 Robertson afirma que "em seu aspecto mais essencial, aliança é aquilo que une pessoas. Nada está mais perto do coração do conceito bíblico de aliança do que a imagem de um laço inviolável" (Robertson, Cristo dos Pactos, 8). Depois de relacionar a idéia de aliança com seus sinais e com juramentos, ele afirma: "Essa estreita relação entre juramento e aliança enfatiza o fato de que a aliança em sua essência é um pacto" (ibid., 10).

36 Ver Meredith Kline, By Oath Consigned (Grand Rapids: Eerdmans, 1968), 17.

37 Ibid., 21.

38 Esta denominação dos mandatos é de G. Van Groningen, em Revelação Messiânica no Antigo Testamento e Família da Aliança. Já O. Palmer Robertson classifica esses mandatos com os termos sábado (espiritual), casamento (família) e trabalho (cultural). O Cristo dos Pactos, 61-74.

39 Sociedade Bíblica do Brasil, 1998.

40 {fdf):K por {fdf):B

41 {fdf):K no hebraico traduzido por w¨j aÃnqrwpoj.

42 Robertson, Cristo dos Pactos, 21-22.

43 Robertson, ibid., trata o texto de Oséias 6.7 e Jeremias 33 em seções específicas de seu livro, como evidências do pacto da criação. Ele, no entanto, critica o tratamento do texto de Gênesis 6.18 aqui apresentado.

44 O verbo qum ({Uq) no hiphil pode ser traduzido como "confirmar." Ver Harris, Archer e Waltke, Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento (São Paulo: Vida Nova, 1998), verbete 1999.

Revista Fides Reformata

Parte II
UMA BREVE INTRODUÇÃO
Ao estudo do pacto

Este artigo propõe-se a continuar o estudo do pacto iniciado em artigo anterior publicado nesta revista.1 O primeiro artigo tratou da parte histórica da doutrina e dos fundamentos exegéticos iniciais para o seu estabelecimento. Foi exposto o conceito de pacto dentro de uma perspectiva bíblico-teológica, relacionando-se o mesmo com a criação. Neste artigo nos concentraremos nos elementos constituintes do pacto da criação e nas questões pertinentes à continuidade desse pacto.

Na exposição anterior estabelecemos que o conceito mais apropriado de pacto é o de “um vínculo ou elo de amor, iniciado e administrado pelo Deus triúno com a sua criação, representada pelos nossos pais.”2 Ainda que a expressão berith (pacto) não apareça nos dois primeiros capítulos do Gênesis, no relato da criação, existe suficiente evidência escriturística e teológica para se dizer que na criação foi estabelecido um pacto, que tem sido chamado por alguns reformados de Pacto da Criação. Os autores mais recentes3 que expõem essa linha teológica advogam que esse pacto da criação foi continuado após a queda, tendo expressão no que a Confissão de Fé de Westminster (CFW)4 chama de Pacto da Graça ou, como preferem outros teólogos reformados, Pacto da Redenção.5 Vejamos, pois, esses dois aspectos: (a) os elementos constituintes do pacto da criação e, (b) a continuidade do pacto da criação no pacto da redenção.

I. Elementos do Pacto da Criação
Afirmamos no artigo anterior que o conceito do pacto da criação é sustentado por vários elementos presentes na narrativa de Gênesis 1 e 2. O seu conjunto forma o contexto para o desenvolvimento da doutrina do pacto: soberania, sustento, relacionamento, responsabilidade, bênçãos e maldições.6 Esses elementos, já brevemente definidos, podem agora ser desenvolvidos de forma mais ampla.

A. Soberania
Meredith Kline indica que as estruturas pactuais encontradas no antigo Oriente Próximo possuem elementos semelhantes aos citados acima.7 Os pactos feitos entre nações com o propósito de proteção mútua ou entre suseranos e vassalos (conquistadores e conquistados) apresentam características que podem ser encontradas na narrativa do Gênesis.8 A primeira delas é a figura do soberano, aquele que exerce o domínio sobre todas as coisas. Desde a declaração inicial da criação, Elohim é claramente aquele que tem o domínio, criando, ordenando, separando, determinando e estabelecendo a forma como a criação deveria ser e portar-se diante dele. A forma como o Gênesis relata a criação mostra ao leitor da narrativa que Deus independe de qualquer causa, conselho ou autoridade externa para realizar o seu trabalho soberano. O texto simplesmente pressupõe essa realidade: “No princípio criou Deus os céus e a terra.” O apóstolo Paulo, refletindo sobre a obra redentora que Deus realiza através de seu Filho, exclama em Rm 11.33-36:

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!

O Criador chama os elementos à existência, determina seus papéis e então a realidade da sua criação é constatada na expressão “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gn 1.31). Tudo o que ele fez enquadrou-se perfeitamente no papel para o qual foi criado.

Observando o desenvolvimento da narrativa da criação podemos ver a soberania absoluta de Elohim. A ênfase determinante de suas palavras é expressa com grande vigor pelo autor do Gênesis, em cada um dos dias do relato da criação. Em momento algum o autor tem a preocupação de falar das características do Criador ou mesmo de descrevê-lo. Sua soberania é descrita tão somente pelo que faz. Mais tarde, outros autores bíblicos, assim como também Moisés, o autor do Pentateuco, reconheceram e descreveram essa soberania e reinado de Iavé Elohim sobre todo o universo. Podemos conferir essa realidade tanto no Antigo como no Novo Testamento:

Ó SENHOR ,Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome! Pois expuseste nos céus a tua majestade (Sl 8.1).

Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo... (Sl 19.1-4a).

Reina o SENHOR. Revestiu-se de majestade; de poder se revestiu o SENHOR e se cingiu. Firmou o mundo, que não vacila. Desde a antigüidade está firme o teu trono; tu és desde a eternidade (Sl 93.1-2).

Nos céus, estabeleceu o SENHOR o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo (Sl 103.19).

O SENHOR é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras. Todas as tuas obras te renderão graças, SENHOR; e os teus santos te bendirão. Falarão da glória do teu reino e confessarão o teu poder, para que aos filhos dos homens se façam notórios os teus poderosos feitos e a glória da majestade do teu reino. O teu reino é o de todos os séculos, e o teu domínio subsiste por todas as gerações. O SENHOR é fiel em todas as suas palavras e santo em todas as suas obras (Sl 145.9-13).

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez (Jo 1.1-3).

O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais; de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação (At 17.24-26).

Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele (Cl 1.15-16).

Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas... (Hb 1.1-3).

Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas (Ap 4.11).

Todos esses textos da Escritura de alguma forma relacionam Deus, quer na pessoa do Pai ou do Filho, com a criação e o seu domínio sobre ela. Não existe absolutamente nada fora do seu controle, quer na criação, quer na redenção, quer nos que se aproximam dele, quer nos seus inimigos.

O relato da criação em Gênesis 1 e 2 não nos fala diretamente da motivação de Elohim para criar. Segundo a CFW (4.1), ele assim o fez “para a manifestação da glória do seu eterno poder, sabedoria e bondade.” Podemos dizer que Deus criou como uma manifestação do seu ser. Ele é amor (1 Jo 4.8), e porque é amor, expressando aquilo que é, determinou criar tudo o que existe fora dele mesmo. Esse amor de Deus não se limita apenas ao mundo caído, carente de redenção.

Da mesma forma como criou, na sua soberania e poder, Elohim também sustenta o que criou. Esse é um fator fundamental do Pacto da Criação. O pacto independe de quaisquer elementos externos para a sua sustentação, até mesmo do ser humano com quem Deus se relaciona. Deus estabelece o pacto e o sustenta. No texto de Hebreus 1.3 a segunda pessoa da Trindade, que é o resplendor da glória e a expressão exata do Ser de Elohim, é quem sustenta “todas as coisas pela palavra do seu poder.” Na linguagem da Confissão de Fé essa sustentação é chamada de providência. Pois na sua providência, Deus, “o grande Criador de todas as coisas, para o louvor da glória da sua sabedoria, poder, justiça, bondade e misericórdia, sustenta, dirige, dispõe e governa todas as suas criaturas, todas as ações e todas as coisas, desde a maior até a menor” (CFW 5.1).

C. Relacionamento
Além da soberania e do sustento, outro elemento fundamental no conceito bíblico do Pacto da Criação é o de relacionamento. Quando Deus criou todas as coisas no princípio, ele propôs-se a manter um relacionamento com a sua criação, estabelecendo assim um vínculo. Vimos anteriormente que um elemento essencial desse relacionamento está no fato de Deus ter criado o homem e a mulher à sua imagem e semelhança. Vimos que nessa imagem e semelhança estão incluídas as habilidades de comunicação e relacionamento e suas implicações tais como pensar, obedecer, discernir e fazer opções. Deus, de forma singular, criou o homem e a mulher diferentes do restante de toda a criação. Ainda que ele tenha “falado” durante todo o processo de criação, é ao ser humano a quem ele se dirige de forma direta, verbal, abençoando e dando-lhe responsabilidades:

Depois de haver feito as outras criaturas, Deus criou o homem, macho e fêmea, com almas racionais e imortais, e dotou-as de inteligência, retidão e perfeita santidade, segundo a sua própria imagem, tendo a lei de Deus escrita em seus corações, e o poder de cumpri-la, mas com a possibilidade de transgredi-la, sendo deixados à liberdade da sua própria vontade, que era mutável (CFW 4.2).

Nisso Deus cria um vínculo, elo ou pacto, conforme a definição já dada para o termo berith: “um vínculo ou elo de amor, iniciado e administrado pelo Deus triúno com a sua criação, representada pelos nossos pais.” Ainda que Deus não necessite da companhia humana, ele determina criar e relacionar-se com a sua criação.

D. Responsabilidade
O quarto elemento fundamental da perspectiva pactual da criação é a responsabilidade. Ao criar o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, Elohim os faz responsáveis diante das estipulações do pacto. Nossos primeiros pais, criados para a glória de Deus e a plena felicidade ao cumprir o papel estabelecido por ele, deveriam relacionar-se com total responsabilidade diante de seu Criador. Por isso, eles deveriam responder a tudo quanto o criador lhes colocasse à frente, cumprindo um papel singular: na qualidade de criaturas de Elohim, deveriam cuidar da criação que ele colocava diante deles e à sua disposição, e desenvolvê-la. Isso os fazia responsáveis diante do Criador no exercício de domínio e sujeição, no relacionamento com seus iguais e também no seu relacionamento com Deus.

E. Bênçãos e maldições
Diante dessa responsabilidade, aparecem como decorrências quase que naturais as bênçãos e também a maldição pactual. A narrativa histórica de Gênesis 1 nos mostra que, ao criar o homem (macho e fêmea) à sua imagem e semelhança, Deus o abençoou. O verso 28 do capítulo 1 narra o fato:

E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.

Alguns elementos importantes merecem destaque. Primeiro, o fato de que Deus abençoou o homem e a mulher de forma única no contexto de todo o relato. Isso não traz à narrativa uma visão antropocêntrica, mas certamente revela o propósito do autor do texto, que era o de mostrar ao povo o papel central que Elohim havia reservado para o ser humano, dentro de sua criação, e que, assim sendo, a escravidão e o nível de vida em que estavam vivendo não correspondia ao padrão inicial estabelecido por Deus.

Segundo, a bênção de Deus é expressa nos verbos subseqüentes do texto de forma imperativa. Deus não só abençoa o homem com a fertilidade, mas ordena que, com essa bênção, ele cumpra o seu papel. Assim é também no multiplicar-se e no sujeitar e dominar o restante da criação. O povo de Israel devia entender o seu papel e as bênçãos reservadas por Deus para ele. Alguns teólogos bíblicos têm chamado esse papel do homem criado à imagem e semelhança de Elohim, o rei soberano sobre toda a criação, de um papel “vice-gerencial.” Esse aspecto reforça ainda mais o conceito de responsabilidade citado acima. Sendo Deus o grande rei, ao homem criado à sua imagem e semelhança cabe a responsabilidade de cumprir a sua vontade debaixo da sua bênção pactual. Porém, o texto é muito claro na narrativa subsequente, o capítulo 2, em esclarecer que a irresponsabilidade traria a maldição sobre o ser humano, claramente descrita na CFW:

Além dessa [lei] escrita em seus corações, receberam o preceito de não comerem da árvore da ciência do bem e do mal; enquanto obedeceram a este preceito, foram felizes em sua comunhão com Deus e tiveram domínio sobre as criaturas (CFW 4.2).

Ainda que o texto bíblico seja muito direto em descrever um ato específico de rebeldia que o homem não deveria praticar, o comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, depreende-se da narrativa que qualquer desobediência poderia causar uma quebra do relacionamento pactual estabelecido por Elohim. É certo que a narrativa não descreve nenhuma maldição específica para qualquer outro ato de desobediência, porém também é certo que a quebra do relacionamento está implícita, caso isso acontecesse. Isso nos leva à questão da maldição do pacto. Em Gênesis 2.17 lemos:

... mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

Anteriormente, Elohim havia declarado ao homem as diversas bênçãos condicionadas à obediência pactual. O relacionamento obediente da criatura para com o seu Criador resultaria em vida plena. A desobediência traria, de forma indubitável, o oposto à vida — a morte. A construção da sentença é enfática, sendo traduzida para o português como “certamente morrerás.” Seja qual tenha sido a língua em que Iavé Elohim tenha proclamado a maldição, o autor do texto deixa claro a seus leitores hebreus que a maldição era algo absoluto para aqueles que a ouviram. Não deveria existir qualquer sombra de dúvida quanto aos resultados da desobediência. Assim, de forma semelhante à que encontramos nos tratados do antigo Oriente Próximo, as bênçãos e a maldição do pacto são declaradas nos primeiros capítulos do livro do Gênesis.

Portanto, soberania, sustento, relacionamento, responsabilidade, bênçãos e maldições são elementos que compõem o pacto e são perceptíveis na narrativa da criação. De forma implícita, porém clara, podemos ver nesses elementos o plano de Deus para a sua criação de forma geral, e também, especificamente para o ser humano criado à sua imagem e semelhança. Nas palavras de Van Groningen:

Quando Deus faz uma aliança, ele não só estabelece um relacionamento entre ele mesmo e aqueles que refletem a sua imagem, mas ele usa esse relacionamento como um recurso administrativo. Deus leva adiante a sua vontade, o seu plano, o seu propósito na criação e na redenção. Ele sempre faz isso nesse relacionamento vivo de amor e, assim, a ligação amor-vida se torna a maneira e o caminho de Deus administrar tudo o que ele criou e, especialmente, mostra o que ele pretende fazer com a humanidade e em favor dela.9

O pacto como meio administrativo se afirma principalmente em três áreas, que são chamadas por Van Groningen de mandados.10 São esses os mandados espiritual, social e cultural. Cada um deles reflete uma área de relacionamento na esfera do pacto da criação: a relação Criador-criatura, familiar e indivíduo-sociedade. Os três mandados refletem a forma que o Criador estabeleceu para que a sua criação desenvolvesse o seu papel pleno e encontrasse no cumprimento desse papel a satisfação completa. Obedecendo ao Criador o ser humano estaria desenvolvendo seu relacionamento com ele e sendo fiel ao pacto. Nisso o ser humano seria plenamente feliz e satisfeito. Desenvolvendo o seu relacionamento familiar de forma adequada, o homem, a mulher e a sua semente estariam obedecendo a Deus e agradando-o, promovendo a sua felicidade mútua e contribuindo para o desenvolvimento cultural. Nisso seriam plenamente felizes e satisfeitos. Desenvolvendo o mandado cultural, o indivíduo e a família estariam obedecendo a Deus, cuidando daquilo que ele lhes havia dado como encargo no papel de vice-gerentes e promovendo a vida pactual em todos os limites do reino da criação. Também nisso seriam plenamente felizes e satisfeitos. Como se pode observar, esses mandados são intimamente relacionados e intrinsecamente dependentes um do outro, fazendo parte do plano completo e perfeito de Deus para a sua criação e para o seu relacionamento com ela. Ao viver esses mandados de forma plena, o homem estaria cumprindo o seu objetivo principal, respondendo à primeira pergunta do Catecismo Maior: “O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.”11

Que textos da narrativa da criação dão origem à formulação dos três mandados e a substanciam?

O mandado espiritual pode ser formulado com base na ordem direta de Deus em Gênesis 2.16-17:

E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

Esse, porém, é apenas o aspecto mais direto do mandado. Apenas a obediência não representa o todo de um relacionamento, ainda que seja uma parte essencial do mesmo. O mandado é prescrito intrinsecamente na narrativa. A própria definição de pacto como relacionamento de vida e amor já vai além de simples obediência. O relacionamento obediente dos nossos primeiros pais deveria trazer conseqüências diretas para as suas vidas, como um todo. O laço de amor estabelecido pelo Criador deveria ser a cada dia mais visível e palpável à medida que a criatura exercesse seu papel no reino da criação. Todas as bênçãos anteriormente descritas deveriam estimular o ser humano ainda mais a buscar viver nessa intimidade proposta pelo Criador. O mandado espiritual é parte de um relacionamento de obediência e vida que deveria ser cultivado pela criatura, assim como foi estabelecido e cultivado pelo Criador, na sua fidelidade.

O mandado social está claramente estabelecido na narrativa da criação, nos seguintes textos:

E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra (Gn 1.28).

A fecundidade e capacidade de multiplicação, duas bênçãos descritas nesse verso, eram também ordens diretas do Criador para aqueles que foram feitos à sua imagem e semelhança (...criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou – Gn 1.27).

Todo o contexto do capítulo dois (2.4-25), uma explicação do ocorrido no sexto dia do relato da criação, nos ensina que o homem e a mulher foram criados por Deus para o auxilio mútuo, tendo sido a mulher criada a partir do homem. A narrativa diz que Adão reconheceu a mulher como tendo sido feita da sua essência (“osso dos meus ossos e carne da minha carne” – Gn 2.23), e o autor da narrativa comenta que, por essa razão, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne (v. 24).

Assim como o mandado espiritual, o mandado social deveria ser um desenvolvimento da aliança entre o homem e a mulher, um relacionamento a ser cultivado por ambos no contexto do casamento. Assim, num relacionamento íntimo com o Criador, o homem e a mulher desenvolveriam o mandado social. Assim entenderam os teólogos de Westminster:

O matrimônio foi ordenado para o mútuo auxílio de marido e mulher, para a propagação da raça humana por uma sucessão legítima e da Igreja por uma semente santa, e para impedir a impureza (CFW 24.2).

O terceiro mandado, cultural, pode ser visto nos seguintes textos:

... tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra (Gn 1.26).

... enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra (Gn 1.28).

Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar (Gn 2.15).

Segundo esses três textos, o homem criado por Deus tem em suas mãos as funções de domínio, sujeição e cultivo. No contexto da criação, isso implicaria em muito trabalho, nas mais diversas áreas. Ele deveria tomar tempo para cultivar o solo, exercer o domínio e, conseqüentemente, gozar e desfrutar do trabalho de suas mãos,12 tudo isso em um ambiente de plena harmonia. Fazendo assim, também estaria obedecendo ao Criador que o havia criado e equipado para tais coisas. Portanto, o mandado cultural envolve as áreas do trabalho, política, ensino, tecnologia, lazer, etc. O ser humano criado à imagem e semelhança de Deus deveria, em um certo sentido, desenvolver a criação perfeita, representar o Criador e fazer cumprir a sua soberana vontade. Assim, o seu papel de vice-gerência seria cumprido sob as estipulações de vida e amor do pacto da criação.

No entanto, essa harmonia perfeita era dependente do comportamento do homem diante das estipulações do pacto.

II. A Continuidade do Pacto da Criação no Pacto da Redenção

O capítulo 3 de Gênesis introduz na narrativa um novo personagem individual – a serpente. O texto não explica a sua origem como tendo sido diferente de qualquer outro elemento da criação. Ela é uma criatura. No entanto, sabemos que ela é, nesse contexto, representante de outra criatura. Mais tarde, a Escritura irá revelar de forma clara quem estava sendo ali representado — Satanás (Ap. 12.9).

Como lemos no relato de Gênesis 3, o homem, tentado pela serpente, por sua própria decisão e sendo conhecedor da sua responsabilidade, deliberadamente desobedeceu ao Criador. Elohim não precisava, diante do contexto pactual, proclamar qualquer maldição pela desobediência. Ele já havia feito isso. O homem, portanto, quebrou o pacto de vida e amor estabelecido pelo Senhor. O pacto quebrado não é anulado. O homem não tinha qualquer condição de anular o pacto; antes, só podia submeter-se à realidade do mesmo, da bênção ou maldição que ele traria.

Pelo seu caráter imutável, Elohim, que havia estabelecido o pacto, o mantém. Portanto, o pacto seria levado adiante e a sua maldição seria aplicada aos que o quebraram. É nesse contexto que a narrativa introduz o que a teologia reformada denominou de Pacto da Redenção.

A lei de Deus, refletida nas bênçãos e na maldição, seria levada a cabo; porém, agora, com a presença da graça de Deus. A palavra graça, assim como a palavra pacto, não aparece em nenhum ponto da narrativa do capítulo 3 de Gênesis. Como podemos entender a graça no contexto de Gênesis 3? Pela situação e pelas palavras de Iavé Elohim ao homem, à mulher e à serpente. Passamos a explicar o conceito.

Uma vez que a desobediência foi consumada, o homem e a mulher sentiram-se envergonhados da sua nudez (v. 7):

Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si.

A nudez aqui não representa somente o aspecto sexual, do qual eles também passaram a se envergonhar, mas a perda da inocência e transparência que tinham um para com o outro, como casal. Depois que os olhos de ambos se abriram, como a serpente havia indicado anteriormente (3.5), passaram a ver sua nudez como algo a ser usado para o mal. Não só a nudez do corpo, mas toda a intimidade e conhecimento mútuo passaram a ser elementos a serem usados para o mal, algo que anteriormente fugia da sua realidade. O que aconteceu, ainda que verdadeiro nas palavras da serpente — “se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” — não trouxe o resultado prometido pela serpente. Serem conhecedores do bem e do mal não trouxe qualquer vantagem ao ser humano. Quando o mandado espiritual foi quebrado, o mandado social foi imediatamente prejudicado. O homem e a mulher estavam plenamente conscientes de que haviam quebrado o mandado espiritual e, quando perceberam a presença de Iavé Elohim no jardim, também por causa de sua nudez, dele se esconderam (v. 10):

...Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi.

O seu relacionamento com o Criador também havia sido quebrado. O medo do Criador se instalou no coração do homem. Diante daquele com quem deveria existir plenitude de intimidade, o desenvolvimento de um laço de amor, o homem se esconde. Na verdade, o processo de morte, como quebra de relacionamento, já estava atuando sobre o homem e a mulher, e por isso eles quiseram esconder-se do Criador.

Porém, a graça de Iavé Elohim se manifesta quando este pergunta: “Onde estás?” O Deus soberano, criador, age para encontrar-se com a criatura pecadora. Deus não precisava sequer “voltar” ao jardim. Ele poderia deixar que a história humana se consumasse por si só, como história de morte total. Para entender esse raciocino, devemos ter em mente que bênção e maldição são elementos opostos. O contrário da bênção é a maldição, e a maldição implica na supressão da bênção. A bênção de Iavé Elohim, conforme descrita em Gênesis, era de fecundidade, multiplicação, domínio e sustento:

Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento ... (1.29). De toda árvore do jardim comerás livremente (2.16).

A supressão dessas bênçãos necessariamente resultaria em morte. Porém, ao falar com a serpente, com a mulher e com o homem, Deus traz uma nova realidade ao pacto da criação. Como podemos perceber isso?

Em primeiro lugar, Deus dirige-se à serpente. Sobre ela o Senhor proclama maldição, uma vez que não encontramos anteriormente no texto nenhuma provisão de punição para a serpente. A serpente entra na história e deliberadamente introduz a dúvida e a tentação para a mulher e, conseqüentemente, para o homem. A serpente, na verdade, opõe-se com suas palavras de maneira direta ao que o Senhor havia dito ao homem no capítulo 2. O autor do texto faz questão de deixar isso bem claro, usando em 3.4 o mesmo tipo de construção de 2.17 (“certamente morrerás” – “é certo que não morrereis”).

Sua maldição consistiu na morte, que lhe sobreviria através do descendente da mulher (3.15):

Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.

A cabeça da serpente seria esmagada, trazendo-lhe a morte e destruição. Sua sentença estava proclamada pela sua oposição e interferência no pacto da criação. Ao proclamar essa sentença, o Senhor também deixa claro mais alguns aspectos muito importantes:

(a) Haveria inimizade entre a mulher e seus descendentes e a serpente. Isso fez parte da provisão de Deus para que o pacto pudesse ter continuidade. Tradicionalmente esse texto tem sido chamado de proto-evangelho. Apesar da desobediência, Iavé Elohim não desistiu de relacionar-se com a sua criação;

(b) A bênção do pacto não seria totalmente suprimida. Ainda que a morte fosse certa, Deus apresenta um elemento de continuidade. A mulher teria descendência, a fecundidade ainda seria uma realidade para o ser humano criado à imagem e semelhança de Deus.

Essa realidade é confirmada quando Deus dirige-se à mulher. É importante observar que nenhuma maldição direta é proclamada. A maldição do pacto já havia sido instalada. As palavras de Deus em 3.16 representam, na verdade, uma mitigação da maldição:

E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará.

Sem entrar nos detalhes do texto (o que especificamente representam as dores do parto ou a vontade para o marido), o que podemos perceber, de forma inequívoca, é que a bênção da fecundidade e da multiplicação são confirmadas. Deus traz à mulher a esperança que havia se perdido no pecado. Ela ainda teria filhos. Ainda que essa não seja uma interpretação comum do texto, que é sempre visto em termos exclusivos de maldição, não há como negar que, ao confirmar que a mulher ainda poderia dar à luz, o Senhor confirma a bênção de 1.28: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos...” Se entendêssemos o texto exclusivamente como uma maldição, o que não é dito explicitamente, teríamos que negar o princípio da bênção. Porém, quando olhamos para a maldição como supressão da bênção, e vemos aqui o Senhor confirmando a bênção da fecundidade — isto é, a mulher ainda teria filhos, apesar do pecado —, podemos ver a atuação da graça de Deus.

Em terceiro lugar, Deus se dirige ao homem:

E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás (Gn 3.17-19).

Ao falar com o homem, Deus amaldiçoa a terra que havia colocado sob sua responsabilidade. Esta produziria cardos e abrolhos, símbolos da dificuldade que o homem teria para tirar dela o sustento, um contraste com tudo que fora criado bom no contexto da criação. A maldição é pronunciada sobre a terra como conseqüência da desobediência (“maldita é a terra por tua causa”). Mais uma vez, nenhuma maldição direta é dirigida ao homem. A morte é confirmada como conseqüência da desobediência. No entanto, essa maldição sobre a terra, como no caso da serpente, traz uma mensagem de esperança. Ela confirma a bênção do pacto da criação: a vida humana teria continuidade, o sustento ainda seria possível, o mandado cultural ainda poderia ser cumprido e, conseqüentemente, o mandado social, pelo menos até que o homem tornasse ao pó.

Portanto, ler o texto apenas pela perspectiva da descontinuidade não parece o mais correto. Alguns autores referem-se a essa seqüência do texto como “maldições mitigadas,” ou seja, a aplicação da misericórdia e graça de Deus aos primeiros seres humanos. Diante da morte absoluta que já havia sido proclamada, Deus traz uma esperança de vida. Podemos ver, portanto, que o homem e a mulher recebem do Criador a esperança de vida diante da morte que já se instalara no seu meio como conseqüência da maldição do pacto da criação.

Confirmam esse ponto de vista as reações do homem e da mulher diante do que Deus havia dito. O autor do texto faz questão de registrar a maneira como o homem reagiu ao que Deus disse (v. 20):

E deu o homem o nome de Eva a sua mulher...

explicando a razão disso

... por ser a mãe de todos os seres humanos.

O nome da mulher, Eva, é derivado da raiz “vida” na língua hebraica. O homem reconheceu, depois da queda e das palavras de Deus a esse respeito, que sua mulher ainda seria mãe. Não só isso, a narrativa do capítulo 4 de Gênesis fala da reação de Eva diante dos filhos que concebeu:

Coabitou o homem com Eva, sua mulher. Esta concebeu e deu à luz a Caim; então, disse: Adquiri um varão com o auxílio do SENHOR (4.1).

Tornou Adão a coabitar com sua mulher; e ela deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Sete; porque, disse ela, Deus me concedeu outro descendente em lugar de Abel, que Caim matou (4.25).

Somando-se à promessa de descendência a maldição proclamada sobre a serpente, a continuidade no sustento e a conseqüente continuidade da vida, assim como as reações registradas de Adão e Eva, temos formulado, de forma seminal, o Pacto da Redenção. Essa doutrina reformada é esclarecida e desenvolvida no restante das Escrituras, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento.

Conclusão
No primeiro artigo sobre esse tema concluímos que existe base suficiente nas Escrituras para se falar de um Pacto da Criação, um pacto soberano, de amor e vida, estabelecido por Deus com a sua criação.

No presente artigo elaboramos a forma em que o pacto funciona como um meio administrativo pelo qual os relacionamentos entre Deus e o ser humano, entre os seres humanos, e entre o homem e o restante da criação deveriam se desenvolver. Os mandados são a expressão do pacto nessas três áreas.

Diante da queda, encontramos a manifestação da graça e misericórdia de Deus em dar provisão para que a maldição do pacto não fosse final sobre o homem, a mulher e toda a sua descendência. Não que Deus não cumpra o estabelecido no pacto. Ele mesmo provê para que o cumprimento da sua justiça se manifeste, amaldiçoando a serpente e determinando que o descendente da mulher participe desse processo.

Nesse contexto é esboçado o Pacto da Redenção, que possibilita, para a descendência escolhida, a continuidade do relacionamento de vida e amor estabelecido no Pacto da Criação.

Podemos, então, concluir que, se o pacto da redenção é um novo elemento dentro do pacto da criação, seu princípio, suas estipulações, seus mandados, assim como seu propósito original continuam para a raça humana e ,de maneira especial, para a semente escolhida da qual viria a redenção final. A igreja de Jesus Cristo precisa estar consciente dessa realidade pactual para que possa bem cumprir o seu papel neste mundo. Muitas das questões práticas e dos dilemas morais e éticos que enfrentamos como povo de Deus no dia a dia são provenientes do fato de que os remidos, muitas vezes, não conhecem o seu papel social e cultural e, conseqüentemente, são omissos no desempenho do mandado espiritual. Como servos de Deus, é essencial entendermos que o pacto não é somente um registro do passado. Ele é a base para o legítimo envolvimento dos servos de Deus em todos os campos do conhecimento humano no presente. Nossa omissão face aos problemas enfrentados pelo mundo reflete a incompreensão de nosso papel cultural. Os mandados nos servem como princípios bíblicos sobre como o ser humano deve portar-se diante do casamento, da sociedade e, logicamente, diante de Deus. Desconhecê-los é deixar uma porta aberta ao erro. Para aprendermos sobre a vontade, o plano e as determinações de Deus para o ser humano em geral e para o cristão, é essencial conhecermos e aplicarmos a teologia do pacto.

Mauro Meister, “Uma Breve Introdução ao Estudo do Pacto,” Fides Reformata 3/1 (Jan-Jun 1998), 110-123.
Ibid., 119.
Mais recentemente, temos G. Van Groningen, Revelação Messiânica no Velho Testamento (Campinas: Luz Para o Caminho, 1995) e Família da Aliança (São Paulo: Cultura Cristã, 1997); O. Palmer Robertson, O Cristo dos Pactos (Campinas: LPC, 1997); W. J. Dumbrell, Covenant and Creation: A Theology of Old Testament Covenants (Grand Rapids: Baker, 1984), já citados no artigo anterior, e também Willem Van Gemeren, The Progress of Redemption (Grand Rapids: Zondervan, 1988).
A Confissão de Fé, o Catecismo Maior, o Breve Catecismo, 1ª ed. especial (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1991).
Louis Berkhof, Systematic Theology (Londres: Banner of Truth, 1958), 262-271 elabora a distinção entre o Pacto da Redenção e o Pacto da Graça, sendo o primeiro o pacto eterno, trinitário, e o segundo, o pacto entre Deus e os eleitos.
Meister, “Uma Breve Introdução,” 120.
Meredith Kline, Kingdom Prologue (Toronto: ICS, 1983).
Um exemplo interessante encontra-se em J. Briend, R. Lebrun e E. Puech, Tratados e Juramentos no Antigo Oriente Próximo (São Paulo: Paulus, 1998), especificamente no capítulo V, “Tratado Egipto-Hitita entre Ramsés II e Hattusili III,” 57-69. Não só esse, mas muitos outros paralelos servem como ilustrações da forma que o homem adotou para estabelecer os limites de seus relacionamentos. Muitos estudiosos insistem em que as Escrituras simplesmente copiaram esse formato. Creio, no entanto, que essa forma de relacionamento nasce do fato de que o ser humano, desde o princípio, aprendeu a relacionar-se pactualmente com o Criador, e continuou a fazê-lo mesmo depois da queda.
Van Groningen, Família da Aliança, 27-28.
Robertson também reconhece três áreas de relacionamento, dando, porém, nomes diferentes. Ver O Cristo dos Pactos. O livro de Timóteo Carriker, Missão Integral (São Paulo: Sepal, 1992), também trabalha com linhas semelhantes.
Confissão de Fé e Catecismo Maior da Igreja Presbiteriana, 10ª ed. (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1987), 63.
Este artigo não trata da questão do desfrutar do trabalho com relação ao sábado. Para uma descrição desse aspecto, ver G. Van Groningen, “O Sábado no Antigo Testamento: Tempo para o Senhor, Tempo de Alegria Nele,” Fides Reformata 3/2 (Jul-Dez 1998), 149-167, e a segunda parte do mesmo artigo, neste volume.
Revista Fides Reformata